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'Torço para que programa dê resultado. Outros não deram', diz Armínio Fraga

O ex-presidente do BC disse que uma das diferenças do novo programa é a menor participação do BNDES e cofinanciamento do setor privado, o que já era defendido por ele

Beatriz Bulla e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 13h16

BRASÍLIA - O ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Gávea Investimentos Armínio Fraga afirmou nesta terça-feira, 9, que a nova rodada de concessões de projetos de infraestrutura vem na esteira de outros programas semelhantes que não conseguiram aumentar investimentos no setor. "Eu torço para que esse possa dar resultado", comentou. Para o economista, a menor participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento dos projetos é uma das diferenças desta nova etapa, que já era defendida por ele. 

"As inovações que estão sendo discutidas falam sobre exigir cofinanciamento do setor privado, que é uma proposta minha muito antiga. Acho correto, tem que ver um pouco qual vai ser a dosagem, como vai acontecer essa transição, mas eu penso que faz todo o sentido", afirmou.

Fraga questionou o alcance do ajuste fiscal implementado pela equipe econômica, embora reconheça que esse tipo de trabalho "nunca é fácil" e leva tempo. "Temo que no final das contas acabemos aumentando mais imposto que cortando gasto, e temo um pouco pela qualidade dos cortes, que são pela sua própria natureza difíceis", afirmou o ex-presidente do BC. "E temo mais adiante que esse ajuste não seja suficiente também. É uma coisa quase que contábil", completou.

O economista calcula que, num prazo de dez anos, a carga tributária do País cresça entre seis e sete pontos no Produto Interno Bruto (PIB). Em 2013, segundo dados da Secretaria da Receita Federal divulgados no fim do ano passado, a carga tributária correspondeu a 35,95% do PIB. Ele inclui na conta a tendência demográfica e o crescimento do gasto do País, além da possível alteração no Fator Previdenciário. "O eventual fim do Fator Previdenciário me parece uma decisão complicada nesse momento", disse o ex-BC. Segundo ele, há anos o Brasil vive com crescimento "quase contínuo" do tamanho do Estado.

Questionado sobre as críticas que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está sofrendo por parte do PT, partido do governo, Fraga afirmou que "todo mundo sabia o que estava fazendo" quando o convite foi feito ao então executivo do Bradesco para assumir a pasta. "Foi um convite de certa maneira ligado à situação difícil na qual o País se encontra. Na época, achei que foi um bom sinal, mas também não esperava nenhuma facilidade no desenvolvimento do trabalho dele", afirmou.

Estatais. Fraga defendeu em palestra nesta manhã, organizada pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), mudanças nas estatais, para profissionalizar os conselhos de administração e exigir mecanismos de controle dessas empresas. "Nos últimos anos, as estatais têm sido vítimas de abusos e problemas", afirmou.

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