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Fábio Gallo
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‘Tormenta’ pede aplicação de baixo risco

Neste período de indefinição devido às eleições, o investidor fica assustado e não sabe onde é melhor colocar seu dinheiro

O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2018 | 05h00

Recebi R$ 700 mil e não sei como aplicar, principalmente devido às eleições. Posso deixar o dinheiro parado por quatro anos. Tenho aplicações em Tesouro Direto, fundos de renda fixa, ações, CDBs, fundo imobiliário e plano de previdência. 

A sua dúvida é a de muita gente neste período de indefinição devido às eleições. O investidor fica assustado e não sabe onde é melhor colocar seu dinheiro. Como os seus investimentos já estão bem diversificados e o prazo previsto é de quatro anos, você poderia até correr um pouco mais de risco – mas o momento pede cautela. Assim, vejo como boa opção o Tesouro Direto. Há consultores dizendo como uma máxima que nesse momento o melhor é aplicar no Tesouro Selic e ponto. Obviamente não é uma indicação errada em si; mas, mesmo em momento de alto risco, nós podemos e devemos considerar nossos objetivos e o restante de nossas aplicações na hora de investir.

Uma boa dica é usar o simulador do Tesouro Direto. Aplicando em Tesouro Selic, a rentabilidade líquida deve ser perto de 6,27% ao ano. Mas, caso você invista em uma LCI com 85% do CDI, a rentabilidade simulada estaria em 6,73% ao ano. O Tesouro Selic é uma excelente opção para os mais conservadores: você conhece a rentabilidade inicial no momento da compra, mas os juros que serão recebidos somente são conhecidos no vencimento. Trata-se de um título pós-fixado indexado aos juros básicos de nossa economia, a taxa Selic. É um título muito indicado para quem não sabe exatamente quando vai precisar do dinheiro. Justamente por essa característica é que vários consultores indicam esse papel neste momento.

A ideia é investir nesse título de baixo risco e com rentabilidade positiva enquanto a tormenta está presente. Quando o mal tempo passar, o dinheiro segue para um porto com maior rentabilidade. 

Tenho 30 anos e invisto quase tudo o que ganho. Tenho R$ 500 mil e quero juntar mais R$ 1 milhão até os 40 anos para ter independência financeira. É o suficiente para viver bem?

Eu diria que para a maioria esmagadora dos brasileiros isso é mais do que suficiente para viver muito bem. Mas, essa resposta é muito superficial e, na verdade, não há uma reposta única para a pergunta. A primeira condição para essa busca é responder como você quer viver o restante de sua vida e, assim, definir o que é viver bem para você. Muitos podem traduzir essa questão por sucesso.

Eu tenho uma certeza: dinheiro não define se uma pessoa é bem-sucedida. A questão é bem oportuna porque, nesta semana, um estudo do LinkedIn trouxe notícias muito interessantes. A pesquisa realizada apresenta que 60% dos entrevistados brasileiros da geração Z (com 21 anos ou menos) já se considera bem-sucedida. E o mais importante é que, para essa geração, “as principais definições de sucesso incluem itens como ‘ser feliz’, ‘equilíbrio entre vida pessoal e trabalho’ e ‘ser saudável’. Sendo afastada cada vez mais da definição tradicional de ‘ganhar bem’, ‘ter estabilidade financeira’ ou ‘estar em um posto hierárquico alto’.”

No estudo, realizado em 16 países com a participação de 18 mil pessoas, o Brasil só fica atrás dos Emirados Árabes Unidos, onde 69% da geração Z afirma ter sucesso. Por outro lado, os porcentuais mais baixos são encontrados em países como a China (16%) e Estados Unidos (32%). A média global mostra que 47% dos jovens dessa geração dizem ter sucesso. Para outras gerações brasileiras, o porcentual é de 67% entre 25 e 34 anos, 75% entre 35 e 44 anos, 81% entre 45 e 54 anos e 79% para pessoas de 55 anos ou mais. 

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