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Torós diz que BC pode liberar mais compulsório se preciso

O diretor de Política Monetária ressaltou que BC já disponibilizou R$ 100 bilhões deste tipo de recurso

Célia Froufe, da Agência Estado,

19 de março de 2009 | 17h18

O diretor de Política Monetária, Mário Torós, voltou a afirmar que o Banco Central brasileiro ainda possui margem de manobra de R$ 150 bilhões em compulsórios disponíveis para serem usados no caso de necessidade de liquidez de mercados, durante palestra realizada no 3º Seminário Internacional de Renda Fixa, organizado pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima) e da Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip). Ele ressaltou que até o momento a autoridade monetária já disponibilizou aproximadamente R$ 100 bilhões deste tipo de recurso. "Se for necessário, podemos usar (os R$ 150 bilhões restantes)", afirmou. "Na verdade, ninguém conhece a estrutura de compulsório no Brasil. Confesso que nem eu", disse.

 

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Nesta quinta-feira, 19, pela manhã, Torós já havia feito tais comentários durante sua participação no seminário internacional "Uma visão de 360º dos Cenários Econômicos para 2009", promovido pela Abrapp.

 

Além dos compulsórios, Torós enumerou diversas medidas tomadas pelo BC desde o início da crise financeira internacional para garantir estabilidade ao sistema de funding. Para ele, o sistema ainda não está normalizado como no início do ano passado, mas o País apresenta hoje melhores condições do que em outubro e novembro. O diretor deu como exemplo o segmento de funding para o comércio exterior, que já começa a se normalizar. "A função do Banco Central é a de servir de ponte para a funcionalidade do mercado", explicou.

 

Torós voltou a dizer que a taxa de juros reais está em 5,4% atualmente, segundo cálculo feito com base nos números de 12 de março. Ele lembrou que a média de 1996 a 1999 era de uma taxa de 18,4%; de 15,00% de 2000 a 2003; de 11,50% na média de 2004 e 2005 e de 8,2% de 2006 a 2008. "É um novo desafio para o Brasil e que deve ser discutido por todos", afirmou.

 

Ele também reiterou que a continuidade da desindexação da economia pode ter empecilhos na política econômica. Entre os itens indexados, Torós citou como exemplo a rentabilidade da poupança, o preço da energia elétrica e a meta atuarial dos fundos de pensão.

 

Questionado diretamente sobre se a remuneração da poupança seria um impeditivo para a continuidade da redução da taxa de juros, Torós apenas respondeu: "Isso não é uma pergunta que se faça", arrancando risos dos jornalistas. Ele admitiu, porém, que o Banco Central já faz estudos a respeito do tema, mas disse que os mesmos ainda não foram concluídos.

 

Sobre o mercado internacional, o diretor ressaltou que os bancos dos Estados Unidos estão passando por uma situação difícil e que, por isso, estão sendo capitalizados pelo governo. Isso, segundo ele, pode gerar um problema grave de funding para países que necessitarão de capital e que a questão do protecionismo ainda não está clara entre as nações. "Isso poderá levar a uma difícil questão de acesso a capitais para países como o Brasil, que necessitam de capital para financiar seu crescimento", salientou.

 

Torós também apresentou um quadro comparativo da evolução do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre em vários países do mundo. Entre outros países, citou o resultado anualizado do PIB de outubro a dezembro do Brasil (em torno de -14% ou -15%), Taiwan (-22,5%), Coreia (-20,5%) e Cingapura (-16,4%). "São números estarrecedores e com grau de coordenação elevado. Números impressionantes e sem precedente", comentou. "Não estamos só neste mundo", continuou ao mostrar o resultado específico do Brasil.

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