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‘Tour de France’ vira corrida de marcas em sua centésima edição

Ainda com vestígios do caso de doping de Lance Armstrong, torneio abre com corrida de patinetes

Economia & Negócios,

14 de maio de 2013 | 10h58

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MONTANHAS SUMAVA, REPÚBLICA CHECA - Enquanto os ciclistas do mundo inteiro aguardam o início da centésima versão da corrida Tour de France, que começa dia 29 de junho, uma equipe de esportistas checos tenta chamar a atenção para um novo esporte.

O grupo resolveu percorrer o mesmo trajeto de 3,5 mil quilômetros usando uma espécie de patinetes. As bicicletas sem pedais, segundo eles, necessitam de pilotos resistentes e com grande paixão pelo esporte.

Eles dizem que eles estão fazendo isso não por fama, mas para colocar um novo esporte no mapa. "Mesmo se formos bem sucedidos, ninguém vai lembrar os nossos nomes de qualquer maneira", disse o membro da equipe Checa Michal Kulka.

Na realidade os três estão atrás de um pequeno espaço no gigantesco negócio em que se transformou o Tour de France, corrida de bicicletas disputada desde 1903 e o  mais prestigiado dos três Grand Tours do calendário ciclístico na Europa (os outros dois são o Giro da Itália e a Volta da Espanha).

A corrida mobiliza agências de viagem, fabricantes de equipamentos esportivos, cidades turísticas de diversas regiões e patrocinadores como Carrefour, Alcatel, Orange, Sodexo, Nestlé, Bosh, Eurovision e muitos outros.

As marcas estão estampadas nos uniformes, bicicletas e aparecem em muitos detalhes do cenário da corrida, acompanhada de perto pelos canais esportivos. Os corredores das cem equipes já selecionadas partem dia 29 de junho de Porto-Vecchio e cruzam a linha de chegada no domingo, 21 de julho, na avenida Champs Elysées, em Paris.

Entre os patrocinadores deste ano está a fabricante de óculos e materiais esportivos Oakley, que vai colocar um internauta na corrida, em parceria com o grupo de mídia Eurosport. Até o dia 30 de abril, os internautas podem cadastrar perfis em um site criado pelas duas marcas (conquertheroad.eurosport.com).

Os competidores precisam conquistar votos nas redes sociais e os votos contam como quilometragem valendo pontos.Os candidatos também precisam medir os treinos de bicicleta no site www.strava.com, com auxílio de um GPS. Os vencedores poderão pedalar em um trecho do Tour de France, acompanhados por um atleta profissional e uma equipe de filmagem da Eurosport. O resultado será um documentário de quatro episódios.

Enquanto as marcas se articulam, os corredores de patinete suam a camisa percorrendo cada trecho um dia antes das etapas da corrida verdadeira. Eles enfrentam obstáculos como semáforos e trechos de contra-mão, que precisam desviar por rotas alternativas.

Depois de dois anos de treinamento duro, as subidas extenuantes do Tour não parecem incomodá-los muito."Eu tenho mais medo de caminhões", disse Jaromir Odvarka, um dos corredores. O orçamento de apenas US$ 30,2 mil da equipe obriga os atletas a dormir em barracas. Em vez de usar um avião para transporte de longa distância, eles gastam horas de carro.

Enquanto os organizadores do Tour ainda lutam para apagar os vestígios do escândalo de doping de envolvendo Lance Armstrong (que perdeu seus sete títulos e o patrocínio de empresas como a Nike, a Budweiser e a fabricante de materiais de ciclismo Trek ), os seis ciclistas de patinete dizem que a sua corrida será totalmente limpa.

"Doping não faz sentido para nós", disse Kulka. "Nós não queremos chegar primeiro, queremos apenas ser os primeiros na nossa modalidade". Com agência AP.

 

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