Toyota amplia produção no Brasil e na Argentina

Montadora japonesa vai investir US$ 640 milhões nos dois países; objetivo é passar a produzir 230 mil carros por ano na região

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2011 | 00h00

A Toyota vai ampliar sua capacidade produtiva em 60% no Brasil e na Argentina nos próximos dois anos. Líder mundial em vendas, com 7,5 milhões de veículos em 2010, o grupo japonês decidiu investir mais nos países emergentes, mercado que nos últimos anos não foi alvo de atenção da marca.

"Mudamos nossa estratégia para nos concentrar nos países emergentes", disse Akira Okabe, diretor da Toyota Motor Corporation. Ele esteve em São Paulo na sexta-feira para participar da cerimônia de transição da presidência da empresa do Mercosul, que passa a ser ocupada por Shunichi Nakanishi.

Juntos, os dois países terão capacidade produtiva de 230 mil carros por ano, ante as 140 mil atuais. Os investimentos somam US$ 640 milhões - a maior parte ficará no Brasil, onde a Toyota constrói sua segunda fábrica. Na Argentina, a capacidade produtiva será ampliada de 70 mil para 90 mil unidades ao ano.

A unidade de Sorocaba, que será inaugurada em meados de 2012, terá capacidade inicial para 70 mil veículos ao ano e permitirá à marca atuar no segmento de carros compactos, responsável por 70% das vendas no País. Hoje, a Toyota só tem produtos do segmento de sedãs, picapes e utilitários. O único modelo feito no Brasil é o Corolla.

A fábrica produzirá as versões hatch e sedã derivadas de um carro desenvolvido especialmente para mercados emergentes, já em produção na Índia, onde tem o nome de Etios. Ele vai disputar espaço com modelos como Volkswagen Gol e o Fiat Palio nas versões mais potentes, pois não terá motor 1.0.

"Com carros compactos, nossa empresa dará salto ainda maior no mercado, iniciando um novo ciclo de crescimento", disse Nakanishi. Ele é economista, tem 55 anos e está na Toyota há mais de 30. Já trabalhou nos Estados Unidos, Canadá e Porto Rico.

Shozo Hasebe, que deixa a presidência após cinco anos, lembrou que, nesse período, as vendas da marca no País saltaram de 60 mil para quase 100 mil unidades ao ano. O mercado brasileiro, no mesmo período, cresceu de 1,7 milhão para 3,5 milhões de unidades. "Queria ter colocado a Toyota entre as quatro grandes montadoras e não consegui. É um desafio que fica para meu substituto", disse ao Estado.

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