Nacho Doce/Reuters
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Toyota espera crescer quase 40% em 2021, mas teme segunda onda de covid-19

Marca japonesa apresentou ontem a nova Hilux, picape que chegou ao Brasil em 2005 e é líder no segmento em que atua

Cleide Silva, SÃO PAULO

17 de novembro de 2020 | 21h21

Com queda de 39% nas vendas até outubro e corte de 10% de seus funcionários desde o início da pandemia, a Toyota espera recuperar parte das vendas no próximo ano e vender 180 mil unidades, ante 130 mil neste ano. Se atingir a meta, a marca japonesa ainda estará 16,5% abaixo do volume de 2019.

O que pode afetar a recuperação seria uma segunda onda de pandemia da covid-19, que levaria o grupo a rever a projeção, afirma Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil. “Consideramos o cenário atual para a projeção de 2,5 milhões de veículos para o mercado total e 180 mil para a Toyota.”

Chang fez a declaração no início desta noite, logo após o lançamento online da nova Hilux, modelo que está em sua nona geração e é líder de vendas no segmento de picapes de médio porte no Brasil há três anos. As principais concorrentes são Chevrolet S10, Ford Ranger  e Volkswagen Amarok, outra que teve nova versão lançada recentemente.

Puxado pelo agronegócio, o segmento de comerciais leves (picapes e furgões) registra queda de 20,6% neste ano comparado ao período de janeiro a outubro de 2019. As vendas de automóveis caíram quase 33%. “Mesmo com a pandemia, o mercado de picapes foi impulsionado pelo agronegócio e a Hilux tem a vantagem de ser versátil, serve para o uso pessoal combinado com o trabalho”, diz Chang.

Até outubro, as vendas totais da Toyota somaram 107,4 mil unidades, ante 176 mil em igual intervalo do ano passado. A participação da marca no mercado de automóveis e comerciais leves caiu de 8,09% para 7,14%. A Toyota foi uma das últimas fábricas a retomar a produção após o período mais grave da pandemia, informa o executivo.

O quadro de funcionários teve redução de 600 pessoas, a maioria por meio de programa de demissão voluntária (PDV) e hoje a fabricante emprega cerca de 5,4 mil trabalhadores nas duas unidades de automóveis e na de motores.

Embora a Hilux ainda não tenha versão híbrida, Chang afirma que está prevista a chegada de outros modelos com esta tecnologia, inclusive de produção local, mas não adiantou detalhes. Ele reforça que a companhia vai avaliar novos investimentos para os próximos quatro a cinco anos, e levará em consideração a recente renovação, por mais cinco anos, do programa de incentivos para montadoras do  Nordeste e Centro Oeste, que deveria acabar neste ano.

“Precisamos de previsibilidade e de isonomia nas regras do jogo”, afirma o presidente da Toyota. “Obviamente avaliamos o cenário econômico e também as regras que vamos ter nos países onde vamos investir.” A extensão do prazo de incentivos beneficia a Ford e a FCA, instaladas no Nordeste, e o grupo Caoa, com fábrica no Centro-Oeste.

Preços e novidades

A nova Hilux, produzida na fábrica do grupo na Argentina, custa entre R$ 145,4 mil e R$ 242 mil. Traz algumas mudanças no design e agrega itens de segurança como controle eletrônico de estabilidade, assistente de subida, controle eletrônico de tração e luz de frenagem emergencial automática. A versão SRX tem ainda sistema de pré-colisão frontal e sistema de alerta de mudança de pista.

A fábrica argentina tem capacidade para produzir 140 mil unidades ao ano e o Brasil deverá ficar com 44% desse volume em 2021. No Brasil, a fábrica de Sorocaba deve operar com sua capacidade total, de 120 mil veículos anuais, mas a unidade de Indaiatuba, onde é feito o Corolla, modelo mais vendido da marca, tem previsão de produzir 50 mil unidades, ante uma capacidade de 70 mil.

 

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