Toyota interrompe produção no Brasil e na Argentina

Montadora sofre com a falta de peças provocada pelo terremoto no Japão, e pode perder posto [br]de maior do mundo

, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

O terremoto seguido de tsunami ocorrido no Japão em 11 de março começa o abastecimento de peças em fábricas brasileiras. Ontem, a Toyota paralisou a produção da fábrica de Indaiatuba (SP) e dispensou os 2,4 mil funcionários da área produtiva do sedã Corolla. A paralisação vai se repetir nos dias 6 e 20 de maio. Deixarão de ser produzidos 909 veículos.

O mesmo ocorrerá na fábrica da Argentina, onde é produzida a picape Hilux e o utilitário-esportivo SW4, ambos exportados para o Brasil. Será suspenso o segundo turno de trabalho nos dias 13, 20 e 27 de maio, e 450 veículos deixarão de ser produzidos. As duas filiais recebem motores, transmissões e componentes eletrônicos da matriz.

Segundo a Toyota do Brasil, as paradas são para racionalizar o estoque de peças, suficiente até o fim de maio. "Nenhuma decisão foi tomada a respeito do cronograma de produção após 31 de maio de 2011", informa a montadora, em nota.

O grupo ressalta que o ajuste não afetará o nível de emprego nas duas fábricas, onde trabalham 7,1 mil pessoas, incluindo pessoal administrativo. Também informa que a construção da nova fábrica em Sorocaba (SP), a ser inaugurada em 2012, e a ampliação da capacidade produtiva da unidade argentina não terão alterações de agenda.

Honda, Nissan e Mitsubishi informaram ontem que, por enquanto, mantêm a produção normal nas filiais brasileiras.

No Japão, a produção de Toyota, Nissan e Honda recuou mais de 50% em março por conta dos problemas de abastecimento de peças. Os problemas com também ameaçam o status da Toyota como maior montadora do mundo. A empresa pode perder seu título para a General Motors e até ficar atrás da Volkswagen, ocupando o terceiro lugar no ranking, de acordo com Mamoru Kato, analista da Tokai Tokyo Research Center.

Embora março seja geralmente o maior em produção, visto que o fechamento contábil leva as concessionárias a um último esforço de vendas, isso não impediu a queda acentuada na produção. Segundo dados divulgados ontem, a produção da Toyota recuou 63% em março, para 129.491 veículos, em relação a 2010 As exportações recuaram 33%, para 107.751 unidades.

A produção da Nissan caiu 52%, para 47.590 veículos, e as vendas externas recuaram 13%, para 41.746 unidades. A da Honda declinou 63%, para 34.754 veículos, enquanto as exportações cederam 26%, para 20.699.

Avaliação. A agência de classificação de risco Standard & Poor"s reduziu sua previsão para seis montadoras japonesas, incluindo Toyota e Honda, para negativa. A agência prevê que a redução da produção poderá afetar o desempenho operacional e financeiro das empresas e corroer sua participação de mercado e posição competitiva.

As montadoras retomaram as operações de todas as fábricas no Japão neste mês, mas a maioria opera com 50% de capacidade. A expectativa é de que a normalidade não será restaurada no curto prazo. Além disso, o governo alertou sobre provável corte de energia na região leste do país, onde estão algumas montadoras e mais de 500 autopeças. O Credit Suisse prevê que a produção mundial das montadoras japonesas poderá cair 37% no primeiro semestre, no confronto com igual período de 2010, e 19% no ano cheio. / Cleide Silva e DOW JONES NEWSWIRES

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