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Toyota pagará multa de US$ 1,2 bi

Montadora enganou consumidores e omitiu falhas de segurança, diz Justiça americana

David S. Joachim e Matt Apuzzo - The New York Times, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2014 | 02h07

A Toyota firmou um acordo com o departamento de Justiça americano para encerrar uma investigação criminal de quatro anos. Os investigadores analisavam se a companhia havia enganado o público sobre um defeito de aceleração súbita que causou ferimentos e mortes, segundo informaram autoridades federais.

O acordo - de US$ 1,2 bilhão, entre os maiores já pagos por uma fabricante automotiva - incluiu uma incomum admissão de má conduta pela companhia. "A conduta da Toyota foi vergonhosa", disse o procurador-geral dos EUA, Eric H. Holder Jr., numa coletiva à imprensa para anunciar o acordo. Holder acrescentou que a montadora "ocultou intencionalmente informações e enganou o público".

O acordo com a Toyota pode servir de modelo para a autoridades que conduzem um caso parecido contra a General Motors associado a um defeito que fazia veículos GM desligarem inesperadamente. Holder pareceu sinalizar neste sentido ontem, ao dizer que "outras companhias automotivas não deveriam repetir o erro da Toyota".

A Toyota concordou também em cooperar com um monitor independente que supervisionará as declarações públicas e os relatórios regulamentares sobre questões de segurança da empresa. O acordo está sujeito a revisão judicial.

Defeito. O acordo decorre da aceleração involuntária de veículos Toyota, um problema que há havia custado bilhões de dólares à montadora. A empresa emitiu recalls para cerca de 9,4 milhões de veículos que tinham pedais de acelerador defeituosos e tapetes de piso que podiam prender esses pedais.

É raro uma fabricante automotiva ser responsabilizada criminalmente por defeitos, e mais raro ainda tais acusações conduzirem a uma multa significativa. "Todo o setor automotivo deveria ficar atento", disse Preet Bharara, procurador público em Manhattan que liderou a investigação da Toyota.

Em certo momento da coletiva, Bharara se atrapalhou e disse "General Motors" em vez de "Toyota", provocando sorrisos amarelos de autoridades, incluindo Holder, que havia tomado o cuidado de não dizer nada sobre uma possível investigação da GM.

A Toyota de início negou publicamente e em conversas com reguladores federais que sabia do defeito, mas uma investigação do FBI, polícia federal americana, revelou que relatórios internos da companhia mostravam que ela sabia que o problema estava se aprofundando, segundo duas pessoas informadas sobre o assunto.

"A Toyota colocou as vendas acima da segurança e o lucro acima dos princípios", disse George Venizelos, diretor adjunto do FBI encarregado da investigação. "A desconsideração que a Toyota teve pela segurança do público é ultrajante."

A Toyota está discutindo em separado para acertar extrajudicialmente ações federais e estaduais movidas contra ela que alegam morte e ferimentos pessoais culposos.

Numa declaração, o diretor jurídico da Toyota para a América do Norte, Christopher P. Reynolds, disse que a companhia assumiu "plena responsabilidade" por seus atos. "Entrar neste acordo, apesar de difícil, é um passo importante para deixarmos este capítulo infeliz para trás", disse Reynolds.

A Toyota informou que deu mais autonomia para dirigentes regionais emitirem recalls, e que gastaria quatro semanas extras no desenvolvimento de novos modelos para assegurar que os designs são seguros.

Negligência. A empresa havia ganhado três ações sobre a aceleração súbita, mas acertou um revisão em outubro quando um júri em Oklahoma descobriu que o sistema de aceleração eletrônica do Toyota Camry era defeituoso e que a Toyota agira com "desconsideração negligente" apesar dos relatórios sobre problemas com os carros.

O júri considerou a Toyota culpada por um acidente que matou uma mulher e feriu outra. Ele concedeu US$ 1,5 milhão às famílias de cada mulher, determinando que os Camry 2005 em que elas estavam havia acelerado subitamente num cruzamento e batido num aterro em 2007. Um dia depois do veredicto, a Toyota firmou um acordo separado, de valor não revelado, com as famílias das duas mulheres. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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