Toyota pode cortar emprego; Volks não descarta prejuízo

Pressão sobre as montadoras mundiais aumenta com novas notícias ruins sobre o setor nesta sexta

Gilles Castonguay, da Reuters,

23 de janeiro de 2009 | 12h31

Um alerta de corte de funcionários sem precedentes na Toyota, a maior fabricante automotiva do mundo, e rumores de um possível prejuízo no primeiro trimestre por parte da Volkswagen fizeram com que aumentassem as pressões sobre as montadoras nesta sexta-feira, 23.  Veja tambémDesemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  As notícias ruins vieram após a suspensão do pagamento de dividendos nesta quinta-feira pela italiana Fiat, a primeira montadora europeia a divulgar resultados de 2008, à medida que rumava para o que chamou de um de seus piores anos.  Em um momento em que o setor automotivo é atingido pela recessão econômica, que leva à queda de demanda e ao corte de produção, analistas do UBS disseram que esperam que as francesas Peugeot Citröen e Renault também suspendam dividendos.  Fabricantes de veículos comerciais europeias anunciaram nesta sexta-feira uma queda de 24,4% no mercado em dezembro na comparação anual.  A Toyota está considerando demitir empregados de período integral na Grã-Bretanha e na América do Norte, disse à Reuters uma fonte na companhia familiarizada com o assunto.  Apesar dos esforços para limitar os danos decorrentes da crise com corte de produção em suas fábricas, a Toyota ainda enfrenta seu primeiro prejuízo operacional da história da empresa, para o ano que termina em março.  Na Europa, apesar de ser esperado que os resultados de 2008 da Volkswagen sejam melhores que do ano anterior, o vice-presidente financeiro não descartou a possibilidade de a empresa ter prejuízo no primeiro trimestre de 2009.  Hans Dieter Poetsch disse que o mercado global de automóveis poderá encolher 15% este ano, ecoando um alerta recente dado pelo presidente-executivo, Martin Winterkorn, de "tempos críticos por vir".  Ajuda do Estado  O governo dos Estados Unidos prometeu bilhões de dólares para dar apoio ao setor automotivo do país e governos europeus estão se empenhando em planos de ajuda às montadoras atingidas pela crise. Mas outras empresa têm uma visão diferente sobre a ajuda do Estado.  Apesar de seus problemas, a fabricante de carros de luxo britânica Jaguar Land Rover informou que não quer resgate do governo.  Falado à Sky News, David Smith, presidente-executivo da Jaguar Land Rover, uma unidade da indiana Tata Motors, disse que queria que o crédito começasse a fluir novamente, seja por meio de empréstimos diretos ou com respaldo do Estado.  E um senador democrata norte-americano pediu ao presidente Barack Obama que exija que a Chrysler devolva os bilhões de dólares em empréstimos que recebeu do governo, se a Fiat obtiver uma participação controladora da companhia.  A Fiat anunciou uma parceria com a Chrysler na terça-feira em uma ação que deve pressionar outras montadoras a buscar mais alianças para cortar custos diante da queda de vendas, em meio à pior crise a atingir a indústria em décadas.  Uma pequena esperança veio da China, onde a FAW Car, uma unidade da maior montadora da China, registrou um aumento de lucro líquido entre 90% e 120% para 2009.

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