Toyota poderá fazer carro elétrico no ABC

Fábrica de São Bernardo do Campo pode produzir o Prius híbrido; decisão depende de plano de incentivo ao setor

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2014 | 02h04

O presidente da Toyota para a América Latina e Caribe, Steve St. Angelo, pretende transformar a fábrica do grupo em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, numa espécie de centro de propagação de novas tecnologias, especialmente a de veículos híbridos.

A unidade foi escolhida para receber a linha de montagem do Prius híbrido, caso o grupo decida pela produção local do automóvel movido a eletricidade e a combustão. O investimento depende, contudo, de um plano de incentivo à produção nacional de carros movidos a combustíveis alternativos que está parado no governo federal.

"Meu sonho é que essa fábrica seja um laboratório de propagação de novas tecnologias, onde possamos receber alunos de escolas, representantes da sociedade e do governo para discutir e mostrar tecnologias ambientais, como a dos carros híbridos e outras", diz St. Angelo.

A fábrica do ABC foi a primeira do grupo fora do Japão. Inaugurada em 1962, produziu o jipe Bandeirante até 2001 e atualmente fornece componentes para o sedã Corolla, fabricado em Indaiatuba, e para o compacto Etios, feito em Sorocaba, no interior de São Paulo.

O grupo japonês tem esperanças de que o plano de incentivo aos "carros verdes" seja anunciado até o fim de junho.

A última previsão do governo era de que seria anunciado em abril, mas foi postergado. Pelas propostas em estudo, os incentivos seriam basicamente a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e, eventualmente, do Imposto de Importação. O pacote incluiria também caminhões e ônibus movidos a combustível alternativo, como 100% de biodiesel.

A ideia é incentivar, num primeira fase, a importação desse tipo de veículo, e, criado um mercado potencial, iniciar a produção local. A Toyota já se comprometeu em desenvolver no País a tecnologia do carro híbrido movido a etanol.

Sem IPVA. Um incentivo aos híbridos e elétricos foi aprovado na quarta-feira pela Prefeitura de São Paulo, que aprovou lei isentando a parte do IPVA destinada ao município (50%) para esses modelos. Além disso, eles poderão também ficar de fora do rodízio semanal.

No caso do Prius, que é importado do Japão e custa R$ 120,8 mil, a isenção do IPVA representa uma economia anual de R$ 2,4 mil. "Esse é um primeiro passo e esperamos novas medidas", diz Ricardo Bastos, gerente-geral da Toyota do Brasil.

O grupo Renault/Nissan também já manifestou intenção de produzir na nova fábrica do Rio de Janeiro o elétrico Leaf, hoje importado e vendido basicamente a taxistas, e o minicarro Twizzy, para usos específicos. O carrinho é montado atualmente pela Itaipu, no Paraná, só para testes e uso próprio.

Também estão à venda no País os híbridos Ford Fusion, Lexus CT200h, Porsche Cayenne S e Mercedes-Benz S400.

Fracasso. O objetivo do governo brasileiro ao avaliar incentivos para carros elétricos e híbridos é não ficar de fora dessa nova tecnologia. A maioria dos países onde esses modelos são vendidos, especialmente os elétricos, oferece subsídios fiscais para promover o mercado.

Mas há casos em que nem o incentivos são suficientes para estimular a produção. Na semana passado, o presidente do grupo Fiat/Chrysler, Sergio Marchionne, chegou a pedir, durante um evento nos EUA, que os consumidores não comprem o elétrico 500e. Segundo ele, a marca tem prejuízo de US$ 14 mil em cada carro vendido.

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