Trabalhador da construção se vê sem perspectiva de nova vaga

Gilson Conceição de Souza, que trabalhava em uma obra em Camaçari, é um milhares de trabalhadores baianos que perderam o emprego por causa do atraso nas obras do programa Minha Casa Minha Vida

Cleusa Duarte, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2015 | 16h23

Gilson Conceição de Souza, 50 anos, é um milhares de trabalhadores baianos que perderam o emprego por causa do atraso nas obras do programa Minha Casa Minha Vida. Ele trabalhava em uma obra em Camaçari (região metropolitana de Salvador) e se diz preocupado com a falta de perspectivas de encontrar um novo trabalho. “Sou pai de família, tenho quatro filhos, entre 2 e 18 anos. É uma situação desesperadora.”

O trabalhador diz que ainda não digeriu bem a demissão. “Das outras vezes que perdia o emprego, sabíamos que eu encontraria logo uma recolocação, mas agora não há perspectiva. Só se fala em crise. Temos muitos desempregados na família, entre os amigos. Vamos pedir emprego para quem?”

Hoje, no setor de construção civil, os trabalhadores vivem com medo da demissão, segundo Souza. “Fica a incerteza, aquela desconfiança de quem será demitido e quando. Primeiro vem as férias coletivas, depois o aviso chega para um colega e uma hora vem o seu. E aí vem a dúvida: como vou tocar minha vida?”

Na carta de demissão, a justificativa para os cortes eram os atrasos nos repasses do programa de habitação popular. “A empresa sempre me elogiou, mas não tinha mais como continuar por causa da paralisação do programa.”

Horizonte. Sousa diz que o trabalhador da construção sabe que pode ser dispensado quando uma obra acaba, mas nunca ficou sem perspectivas de encontrar trabalho. Agora, a situação mudou. “Um colega, ou o próprio empresário, sempre me indicava para outra obra, mas desta vez estamos saindo direto para casa”, diz o trabalhador, que afirma estar se sentindo “sem ação”.

A principal preocupação agora é com o sustento da família. “Estou em uma situação precária, somente com o dinheiro da rescisão e com a angústia de estar desempregado. Um homem sem trabalho perde a sua honra, a autoestima fica baixa e é preciso reencontrar forças para lutar pela sobrevivência.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.