Trabalhador da GM prefere sindicato 'light'

Central Conlutas, vista como mais dura nas negociações, perdeu a eleição entre os trabalhadores da fábrica

WLADIMIR DANDRADE , O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h07

A chapa que venceu em março a eleição para comandar o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, comandada por Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, perdeu a disputa entre os trabalhadores da fábrica da General Motors. Na unidade, conquistou 39,6% dos 4.884 metalúrgicos que votaram e foi derrotada pela oposição.

Barros é metalúrgico da GM desde 2006. Trabalha na área de CKD (kits de partes desmontadas para exportação). Ele refuta a caracterização de "radical" para o sindicato e seus dirigentes. "O movimento sindical precisa reagir à situação que as empresas procuram impor ao nosso País. O carro no Brasil é o mais caro do mundo e a margem de lucro das montadoras, a maior do planeta", diz.

Radicalismo. Segundo ele, é a GM que está radicalizando nas negociações ao rejeitar todas as propostas apresentadas pelos representantes dos trabalhadores.

O sindicato é filiado à Central Sindical e Popular Conlutas, que também tem em sua base representantes de entidades como o Movimento dos Trabalhadores Sem-teto e o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade.

A Conlutas nasceu de uma dissidência da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 2004, quando líderes se mostraram insatisfeitos com o alinhamento a políticas do governo Lula.

A Conlutas, que reúne cerca de 2 milhões de trabalhadores em todo o País, também está ativa nas greves dos servidores federais. O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), uma das principais entidades que lideram as atuais paralisações nas universidades federais, é vinculado à central.

Na eleição de março, a chapa de oposição teve 60,4% dos votos na GM. No total, a chapa da Conlutas venceu os adversários da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) com 57,68% dos votos válidos.

Mais negociação. O cabeça da chapa de oposição foi Nilson Araya, o Chileno. Ele avalia que a política da atual diretoria não busca "meios alternativos" para chegar ao consenso nas negociações da categoria. "Falta habilidade política para eles somarem forças com outras frentes", afirma. "Essa conduta acaba os deixando no isolamento."

Araya diz que passa por cima das desavenças políticas e mostra apoio ao sindicato para evitar demissões. "Neste momento, estamos somando forças para hastear a bandeira do emprego.É inadmissível a GM pensar em demitir quando está sendo beneficiada por desoneração fiscal."

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