Trabalhador dá lugar a maquinário na construção

Alegando falta de mão de obra qualificada para canteiros de obra, empresas dos setor investem mais na industrialização do processo

Caderno de Imóveis,

25 de abril de 2011 | 11h00

A falta de mão de obra qualificada para trabalhar em canteiros de obras tem sido mais um fator a estimular o aumento do nível de industrialização da construção civil no País.

Neste ano, segundo estimativa do Sindicato da Construção (SindusCon-SP), devem ser contratados entre 150 mil e 200 mil trabalhadores para obras no Brasil. Apesar de ser mais baixo do que o saldo de contratados no ano passado, quando o setor cresceu 14% e admitiu 250 mil pessoas, a escassez de trabalhadores para cinco funções essenciais tira o sono dos empreiteiros.

Os postos com maior carência são justamente os que demandam maior número de mão de obra: pedreiros, armadores,gesseiros, carpinteiros e pintores.

O piso salarial mínimo das funções é de R$ 829,40 e o cargo não exige pré-qualificação.

"O pedreiro não ensina mais a profissão ao filho. Não há renovação de estoque, e o profissional disponível passou a ser muito disputado", diz o empresário Tercio Costa Feitosa, diretor-presidente da construtora Costa Feitosa, especializada em projetos industriais.

O SindusCon-SP confirma. Para o vice-presidente de Relações do Trabalho da instituição, Haru Ishikawa, é preciso "uma política nacional de qualificação".

"O Nordeste, que era o grande celeiro desse tipo de mão de obra, tornou-se tomador e não mais doador de profissionais", diz Feitosa. Ele exemplifica dizendo que, para uma obra que está desenvolvendo em Araraquara, no interior de São Paulo, foi preciso treinar os trabalhadores rurais porque os empregados da capital não querem mais se "acanteirar". "Antes, a mão de obra para construção era farta e informal. Tornou-se escassa e cara."

O efeito indireto é o aumento do maquinário nas construções. Uma laje antes içada por dez pedreiros é erguida por um guindaste. Em vez de pintor, máquinas que distribuem a tinta e pilares pré-moldados dão lugar a caminhões de insumos. O método permite reduzir pela metade o custo com pessoal e em até 30% o custo total da obra.

Engenheiros. Se faltam trabalhadores com menor formação, trabalhadores com graduação também devem se tornar pedra no sapato do setor. Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em março indica que, "o mercado de trabalho tenderá a requerer, em 2020, o dobro da proporção de engenheiros hoje ocupada. Tal situação representa um potencial gargalo".

Sondagem feita no início deste ano pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com empresários da construção civil apontou que a falta de trabalhador qualificado é o principal problema enfrentado hoje pelo setor. No levantamento, 68,4% dos consultados citaram o problema - há seis meses o índice era de 62%. A situação, de acordo com a CNI, é comum a todos os portes, mas pior entre as grandes empresas. "Com trabalhadores sem formação, o custo da obra aumenta, tanto pela necessidade de qualificação como pelo prejuízo em produtividade", diz Ishikawa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.