Trabalhador que investiu FGTS na Petrobrás perdeu com a crise

A derrocada das ações da Petrobrás vai afetar diretamente o bolso do trabalhador brasileiro, que investiu seu FGTS em papéis da estatal. Nesta sexta-feira, depois do anúncio de rebaixamento, as ações preferenciais da companhia despencaram 7,8% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) influenciadas pela instabilidade econômica e, principalmente, pela decisão da Moody´s. Cerca de 310 mil trabalhadores adquiriram ações da Petrobrás com recursos do FGTS.A preocupação com o risco político que envolve a estatal no próximo governo tem reduzido o ganho que estava sendo contabilizado pelo investimento dos trabalhadores. Eles buscaram nas ações da maior companhia brasileira um porto mais rentável para seu FGTS, antes limitado a rendimentos anuais de TRmais 3% a 6%. Só em junho, a perda acumulada pelas ações da companhia é de 22,6%. Essa queda vem consumindo o ganho dos fundos FGTS-Petrobrás, que já chegou a acumular rentabilidade em torno de 100%. Hoje, o quadro é bem diferente. O gestor de fundos FGTS do Unibanco, Ronaldo Patah, explica que o trabalhador que aplicou no fundo desde o início, em agosto de 2000, tem agora um ganho de apenas 20%, se levado em consideração as taxas de administração cobradas pelos bancos. Ou seja, quem aplicou R$ 1 mil, já chegou a ter quase R$ 2 mil e agora só tem R$ 1,2 mil. Mesmo assim, o executivo não recomenda sacar os recursos do fundo. ?Quem vender agora estará saindo no pior momento. Não acho uma boa solução. Até porque esse é um investimento com perfil de longo prazo?, avaliou. Patah lembrou ainda que as regras do governo determinam que quem sair do fundo não poderá mais voltar e terá seus recursos corrigidos novamente pela TR mais juros. Dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) revelam que não houve um movimento forte de saída dos trabalhadores destes fundos. O patrimônio atual do FGTS-Petrobrás é de R$ 2,4 bilhões e só houve resgate de apenas R$ 240 milhões este ano. O rebaixamento pela Moody´s trouxe à tona as preocupações dos analistas quanto ao futuro da Petrobrás no próximo governo. O temor de que a estatal seja usada de forma política, para melhorar indicadores econômicos, têm influenciado o comportamento dos papéis da Petrobrás nos últimos meses, especialmente, em junho.

Agencia Estado,

21 de junho de 2002 | 19h08

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