HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Trabalhadores ainda preferem vínculo direto

Flávio Ribeiro e Verônica Peres apontam acesso a benefícios como fator principal da contratação

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 03h00

Apesar das diferentes visões das partes envolvidas sobre a proposta de regulamentação que tramita no Congresso, muitos trabalhadores ainda consideram, por ora, o vínculo direto com a contratante mais vantajoso, sobretudo em relação a benefícios e estabilidade. Por isso, foi com satisfação que Flávio Ribeiro, de 29 anos, recebeu a notícia de que havia sido contratado pela Ford, para quem prestava serviços de logística por outra empresa desde 2013. Flávio foi contratado com outros 260 terceirizados do setor de logística na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), como parte do programa da montadora de estabilidade de emprego até 2017, negociado com os trabalhadores em março. 

“Foi muito bom. A gente tinha muita dor de cabeça: a empresa não estava pagando o nosso fundo de garantia, não sabíamos se íamos receber corretamente, e era uma briga até para arrumar vaga no fretado da Ford”, conta Ribeiro. “Com a contratação, temos um convênio médico melhor, vale-transporte, uma PLR maior e R$ 300 mais no salário.”

Ele afirma que, além dos benefícios, o que mais o deixou satisfeito foi a sensação de mais segurança. “É bom pertencer a uma empresa grande. A gente não tinha nem coragem de fazer financiamento, pois era um serviço um pouco instável”, diz. “Agora já podemos planejar alguma coisa, ainda mais porque voltei a estudar”, conta, animado. 

Casado e com dois filhos, Ribeiro está cursando o segundo semestre da faculdade de Logística. “Parece que agora as coisas estão se encaixando.”

Aulas terceirizadas. Para a professora de inglês Verônica Peres, a transição também foi benéfica, embora tenha demorado mais. Depois de anos dando aulas como registrada, foi para uma escola particular em que a equipe de inglês era toda terceirizada. “Eu só não recebia o adicional de um terço das férias, não tinha seguro-saúde e nem fundo de garantia - o que na época foi meio complicado, porque a gente vive de aluguel até hoje, e eu não tinha nem dinheiro para dar entrada numa casa”, conta. “Além disso, a gente deixava de ir em algumas reuniões, pois não queriam nos pagar a mais.”

A virada só viria quase seis anos depois, quando alguns professores entraram com processos contra a escola. “Depois dos processos e da confusão que deu, eles resolveram contratar a equipe de inglês, e foi ótimo”, conta. “Passamos a receber o mesmo salário que os outros professores, a seguir os mesmos horários e a participar de tudo”, diz Verônica.

“Outra coisa que foi essencial foi garantir a bolsa dos filhos, pois isso faz muita diferença”, diz a professora, que tem duas meninas - uma delas, com seis anos, já estuda na escola.

“Temos um grupo de professores de escolas particulares, que tem se reunido, presencialmente e na internet, para falar sobre essa questão”, conta ela. “A terceirização da equipe de inglês é muito comum, e agora pode ser ampliada Precisamos acompanhar esse assunto com muita atenção”, diz

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