Trabalhadores da GM de São José dos Campos entram em greve contra demissões

Trabalhadores da GM de São José dos Campos entram em greve contra demissões

Mais de 5 mil trabalhadores paralisam a produção da GM por tempo indeterminado; empresa questiona greve na Justiça

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 09h54

Atualizado às 16h40

Assim como os trabalhadores da manhã, os funcionários do turno da tarde da fábrica da General Motors (GM) de São José dos Campos (SP) também decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira, 20. Com isso, os cerca de 5,2 mil colaboradores da unidade paralisaram totalmente a produção.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos explica que a greve é reação a uma proposta da montadora de demitir cerca de 800 funcionários da unidade após dois meses de lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho), com previsão de início para os próximos 15 dias. De acordo com a entidade, a proposta foi apresentada durante reunião entre trabalhadores e representantes da empresa na noite dessa quinta-feira.

"Eles propuseram para nós ou aceitar o lay-off por dois meses e depois demitir ou demitir imediatamente", contou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá. De acordo com o sindicato, a GM não divulgou uma lista com nomes de funcionários que seriam demitidos. Os trabalhadores prometem ficar de braços cruzados dentro da fábrica durante a greve e só voltar ao trabalho quando as demissões forem revogadas.

Segundo Macapá, a GM alega ter um excedente de 700 trabalhadores em São José. A empresa estendeu até esta sexta-feira um Programa de Demissão Voluntária (PDV) que deveria ter sido encerrado há uma semana, para tentar atrair os 798 trabalhadores da unidade que retornaram do lay-off na semana passada e que, por isso, possuem estabilidade no emprego até agosto. O PDV também se estende à unidade de São Caetano do Sul, onde 950 trabalhadores estão em lay-off.

O dirigente informou ainda que o sindicato entrou em contato, na noite de ontem, com o ministro do Trabalho, Manoel Dias, pedindo que o governo intermedeie as negociações com a empresa. O ministro teria sugerido uma reunião na próxima sexta-feira, mas a reunião não chegou a ser marcada. O sindicato pediu também que o governo edite uma Medida Provisória garantindo a estabilidade no emprego para todos os trabalhadores de empresas que recebem incentivos fiscais.

GM questiona greve na Justiça. No início da tarde desta sexta-feira, a GM ajuizou uma ação de dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região, em Campinas (SP), questionando a paralisação. Na ação, a empresa considera a greve "ilegal" e "abusiva". A montadora alega que a proposta colocada em votação pelo sindicato durante as assembleias não foi a que tinha sido apresentada pela empresa. Uma audiência entre a montadora e os trabalhadores foi marcada para terça-feira, dia 24, às 15h30, na sede do TRT.

A companhia afirma que propôs aos trabalhadores o lay-off "exatamente com base na lei", que prevê estabilidade no emprego por seis meses após o fim da suspensão. A empresa pontua que a greve não seguiu os ritos legais, "pois em nenhum momento o sindicato comunicou à empresa de sua intenção". O sindicato, porém, afirma que avisou à GM sobre a possibilidade de deflagrar a greve.

Em um dos documentos anexados à ação do dissídio coletivo, a GM pede ainda que os colaboradores voltem ao trabalho "imediatamente". Mais cedo, em nota enviada à imprensa, a montadora já tinha avisado que tomaria as "medidas legais cabíveis", alegando que o sindicato teria "deturpado" a proposta apresentada pela montadora. A empresa ainda se disse "surpresa" com a paralisação.

Segunda greve. Essa é a segunda greve de metalúrgicos só neste ano. Em janeiro, trabalhadores da fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP) paralisaram as atividades por 11 dias contra uma proposta da montadora de demitir 800 colaboradores da unidade. Os funcionários só retornaram ao trabalho após acordo com a direção da empresa, que revogou os cortes.

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