Trabalhadores da Mercedes aprovam adesão ao PPE

Trabalhadores da Mercedes aprovam adesão ao PPE

Para evitar demissões, sindicato do ABC votou a favor de programa que prevê redução de jornada de trabalho e salários

Marina Gazzoni, Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2015 | 18h12

Os trabalhadores da Mercedes-Benz aprovaram ontem a adesão da empresa ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), medida que na prática autoriza a montadora a reduzir a jornada de trabalho e os salários das empresas em dificuldades financeiras. A decisão foi tomada ontem em assembleia do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC que reuniu cerca de 1,5 mil trabalhadores da montadora. 

Os trabalhadores tinham votado contra a medida em julho, mas mudaram de ideia após a empresa comunicar oficialmente o sindicato dos metalúrgicos na última sexta-feira que faria cortes de pessoal a partir do dia 1º de setembro. A empresa colocou como alternativa aos cortes a adesão ao PPE, combinado com reajustes salariais reduzidos para 2016. O PPE foi criado em julho como tentativa do governo de minimizar a redução de emprego.

Em comunicado, o sindicato informou que vai procurar a empresa amanhã para reabrir as negociações. “Queremos retomar as negociações. E entendemos que o PPE é o caminho nesse momento. A empresa tem dito que só o PPE não é suficiente. Nós dizemos que é suficiente. Se houver demissão, seja qual for o cenário, vamos fazer toda luta possível. Não aceitaremos demissões”, afirmou Sérgio Nobre, secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e representante do Comitê Sindical de Empresa (CSE) da Mercedes-Benz. 

Cortes. A Mercedes-Benz alega que tem um excedente de 2 mil trabalhadores e que já esgotou as medidas de flexibilização de emprego, como lay-off e férias coletivas. Cerca de 7 mil trabalhadores estão em licença remunerada desde ontem até o dia 21.

A Mercedes-Benz emprega 10 mil pessoas na unidade do ABC e recentemente demitiu 500 operários. Parte deles foram desligados por meio de um programa de demissão voluntária (PDV), que ainda está aberto. A adesão ao programa, no entanto, é baixa, segundos fontes próximas à empresa.

Em entrevista ao Estado na semana passada, o diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Mercedes, Luiz Carlos de Moraes, afirmou que o ajuste de quadro é necessário em função do fraco volume de vendas. “As vendas continuam muito fracas e não há nenhuma previsão de recuperação.”

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas totais de caminhões caíram 43% de janeiro a julho em relação a 2014 e as de ônibus recuaram 28,6%. Segundo Moraes, a proposta que seria apresentada aos trabalhadores é a redução da jornada e dos salários em 30% por um ano, sendo que 15% do corte salarial seriam bancados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). 

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