Edu Guimarães/SMABC
Edu Guimarães/SMABC

Trabalhadores da Mercedes mantêm greve por reajuste salarial

Funcionários da montadora em São Bernardo do Campo decidiram em assembleia manter a greve iniciada ontem

O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2018 | 15h16

Os funcionários da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo decidiram nesta terça-feira em assembleia manter a greve iniciada ontem. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a paralisação ocorre porque a empresa, além de não querer dar reajuste salarial na negociação deste ano, pretende demitir 340 pessoas da área administrativa, de um total de 8 mil funcionários.

+ Várias montadoras disputam segmento de caminhões elétricos

O sindicato afirma também que a Mercedes-Benz quer acabar com algumas cláusulas acertadas no último acordo, como o tempo de estabilidade para trabalhadores que sofreram algum acidente e o complemento que eles recebem da empresa por quatro meses para que o auxílio-doença recebido pelo INSS chegue ao mesmo valor do salário.

Os metalúrgicos defendem a manutenção destes pontos e a inclusão de uma cláusula de salvaguarda contra a reforma trabalhista, garantindo que qualquer alteração prevista na nova legislação só possa ser aplicada após negociação entre empresa e sindicato. Além disso, os trabalhadores querem que o cálculo da PLR (Participação em Lucros e Resultados) leve em conta a exportação dos itens agregados, como motor, câmbio e eixos.

Os trabalhadores vão realizar uma nova reunião amanhã para decidir se continuam em greve ou não. A empresa, no entanto, ainda não mandou uma nova proposta, segundo o sindicato. Pela mesma razão, o sindicato não quis divulgar quais os valores em discussão para o reajuste salarial.

+ Grupo de São Paulo terá frota de 200 caminhões elétricos

As mobilizações internas começaram na semana passada, com paradas na produção e passeatas pela fábrica para pressionar a diretoria. Nesta terça-feira, 15, haverá nova assembleia, às 7h30, em frente à portaria principal da empresa. A Mercedes-Benz confirmou que toda a área de produção de caminhões, ônibus e componentes ficou parada nesta segunda-feira, 14, mas não quis comentar a greve porque ainda está em processo de negociação com o sindicato.

+ MAN amplia produção no Brasil e deve abrir fábrica na Argentina

A paralisação ocorre em um momento em que o setor volta a crescer. A fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo é destinada à produção de caminhões e ônibus. Tais segmentos, respectivamente, apresentam crescimento de 54,9% e 81,7% no acumulado de janeiro a abril ante igual intervalo do ano passado, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

A fábrica da Mercedes, que com a crise passou a produzir em somente um turno, deve voltar aos dois turnos no segundo semestre deste ano, conforme tem dito em entrevistas o presidente da empresa no Brasil, Philipp Schiemer. A unidade, que tem capacidade de produzir 80 mil veículos por ano, tem operado no limite de apenas um turno.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.