Trabalhadores da Sata iniciam greve no Galeão

A dificuldade da Varig em honrar dívidas com fornecedores motivou nesta quarta-feira a greve dos funcionários da Sata, empresa de serviços aeroportuários, no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim (Galeão). Os trabalhadores pararam suas atividades por volta das 10 horas e planejavam manter os braços cruzados até a Sata pagar salários que estão sendo parcelados em três vezes, há quatro meses. Também reivindicam benefícios atrasados, como vale refeição. A Infraero informou que não houve transtornos por causa da paralisação. Nas lojas do Galeão, a reclamação é a de que o faturamento caiu 50%, em média, desde junho, quando a Varig começou a encolher suas operações."Tenho de pagar R$ 750 de aluguel e a minha família está passando fome lá em casa", afirmou um trabalhador da Sata durante a paralisação. A presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, contou que há pelo menos dois meses a Varig já devia em torno de R$ 40 milhões para a Sata, que é controlada pela Fundação Ruben Berta, ex-dona da Varig. A empresa também atende diversas empresas aéreas, como Aerolíneas Argentinas, Lan Chile, American Airlines e Air France.Segundo Selma, a Varig não tem repassado nem 50% do que deve mensalmente à Sata, o que dificultou o fluxo de caixa da prestadora de serviços, já que 45% de seu faturamento é gerado pela companhia aérea. A sindicalista estima que em torno de 1.000 empregados da Sata parariam nesta quarta-feira, incluindo o último turno, da zero hora. Selma contou que também houve paralisação em São Paulo, mas não soube estimar a quantidade de funcionários mobilizados.O gerente de recursos humanos da Sata, Carlos Henrique de Campos, estima que "até terça-feira deverá estar tudo resolvido". Segundo ele, não há repasse de dinheiro da Varig por causa da redução do número de vôos. O executivo conta que são 5 mil funcionários em todo o País, sendo 1.200 no Rio. A Varig só faz atualmente dois vôos diários a partir do Galeão: Rio-Buenos Aires e Rio-São Paulo-Frankfurt. A Infraero lembra que a companhia fazia 75 vôos diários.Com essa redução de vôos, que eram concentrados no terminal 2 do Galeão, o quiosque especializado em presentes e artesanato típico brasileiro, Goal Brasil, teve queda de 50% em suas vendas. A vendedora Michele Costa, de 19 anos, relata que só havia feito uma venda nesta quarta-feira, até às 14 horas. Situação bem diferente antes de a Varig cancelar vôos e reduzir sua operação. "Estou aqui há 6 meses, este é o pior movimento daqui", afirma.O restaurante Pastatore também teve queda de 50% no faturamento, contou a gerente Mônica Cristina Paulino Soares, de 23 anos. "Desde que estou aqui, há 3 anos, este é o movimento mais fraco", afirmou. Segundo ela, antes da Varig reduzir e cancelar vôos, a média de pizzas tamanho família vendidas era de até 40 por dia. Agora, não são nem 20.Antes de a Varig cortar vôos do Galeão, "temporariamente", ressalta a empresa, a loja de quadros Copy Oil vendia até 2 mil itens por mês, conta a vendedora Vitória Pastor, de 27 anos. Agora, ela contou, são, no máximo, 400 quadros. Vitória lembrou que o terminal 2 tinha muito movimento por causa dos vôos internacionais da Varig, que traziam turistas dispostos a fazer compras.AnacA Varig informou nesta quarta-feira que entregou sua nova malha de vôos ao juiz Luiz Roberto Ayoub, responsável pela recuperação judicial da Varig, que vai repassar o plano à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Por meio de comunicado, a Varig informou que as novas rotas deverão ser implementadas a partir do dia 25 de agosto, quando irá divulgar as novas rotas e espera receber a homologação como empresa de transporte aéreo para a nova Varig.A Anac comunicou nesta quarta-feira que recebeu um documento da Varig comunicando que a empresa está retomando sua operação e que não há mais necessidade de a agência renovar o plano de emergência, estabelecido em junho, quando a companhia reduziu sua operação para 25 destinos. A Anac informou que vai manter funcionários fiscalizando a operação e que se a Varig não atender adequadamente seus passageiros estará sujeita a punições.

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