Thomas Peter/Reuters
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Trabalhadores da Scania aprovam reajuste menor para evitar demissões

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o novo acordo prevê reajuste salarial de 5% retroativo à data base da categoria, mais um abono de R$ 6 mil

IGOR GADELHA, O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2015 | 14h24

SÃO PAULO - Trabalhadores da Scania em São Bernardo do Campo (SP) aprovaram revisão do acordo coletivo celebrado há cerca de um ano para evitar demissões na fábrica. Em troca de estabilidade no emprego até 2016, operários aceitaram diminuir o reajuste salarial previsto para este ano.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, o novo acordo prevê reajuste salarial de 5% retroativo à data base da categoria (1º de setembro), mais um abono de R$ 6 mil, previsto para ser pago em janeiro do próximo ano e não incorporável ao salário. Pelo acordo antigo, o reajuste seria acima da inflação, de 12%.

O acordo aprovado pelos trabalhadores também incluiu a antecipação para abril do pagamento da primeira parcela do 13º salário do próximo ano. Prevê ainda o adiantamento para junho do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Em São Bernardo, a Scania emprega aproximadamente 3,2 mil pessoas.

Demissão. O diretor do sindicato Carlos Caramelo ressaltou, em nota, que a composição do novo acordo equivale ao reajuste pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2015 e evita a demissão de 450 trabalhadores. Segundo o dirigente, a negociação também descartou a terceirização dos setores de segurança e alimentação.

"Durante toda negociação, a empresa argumentava já trabalhar com nova queda na produção no primeiro trimestre de 2016, e que isso gerará um excedente que ela já pretendia demitir", afirmou Caramelo. A Scania, contudo, não descarta voltar a negociar com o sindicato caso a crise vivida pela indústria automotiva brasileira piore.

De janeiro a agosto, a produção de caminhões no Brasil acumula queda de 46,7% em relação a igual período do ano passado, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O recuo é resultado da retração de 43,5% nas vendas de caminhões novos no País nesse período.

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