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Trabalhadores da Usiminas cruzam os braços

Funcionários da siderúrgica em Cubatão prometem entrar em greve a partir desta quarta-feira em protesto contra 4 mil demissões, diz sindicato

MARIANA DURÃO, ENVIADA A BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2015 | 05h00

Trabalhadores da usina siderúrgica da Usiminas em Cubatão (ex-Cosipa), em São Paulo, vão iniciar greve por tempo indeterminado a partir desta quarta-feira, 11, em protesto contra a decisão da empresa de parar a produção de aço e demitir milhares de funcionários, de acordo com o sindicato local.

“A intenção é fazer a greve por tempo indeterminado”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e Siderúrgicos de Santos e Região, Florêncio Rezende de Sá”, à Reuters. Segundo ele, o movimento da entidade vai envolver 6 mil a 7 mil trabalhadores da Usiminas.

Maior produtora de aços planos do Brasil em capacidade instalada, a Usiminas anunciou no fim de outubro que vai desativar temporariamente atividades de produção de aço da usina de Cubatão, mantendo as de laminação. A empresa disse que a decisão foi tomada em função da crise econômica e da deterioração dos preços da liga nos mercados internacionais. Cerca de 2 mil funcionários diretos da usina e outros 2 mil terceirizados serão demitidos.

O anúncio veio no dia em que a empresa informou o quinto prejuízo trimestral consecutivo, entre os meses de julho e setembro deste ano. Em comentários a analistas de mercado, o vice-presidente financeiro da Usiminas, Ronald Seckelmann, disse na ocasião que a empresa vai cortar o investimento previsto para 2016 pela metade em relação aos quase R$ 750 milhões programados para este ano. A queda do investimento considera a suspensão da produção de aço em Cubatão.

Florêncio afirmou que a Usiminas ainda não começou a demitir funcionários ligados às atividades primárias da usina, pois eles têm estabilidade até 23 de dezembro. Mas ele comentou que a empresa já cortou cerca de 600 terceirizados da usina desde o anúncio de outubro.

Em comunicado sobre as manifestações previstas para hoje em Cubatão, a Usiminas afirmou que respeita o direito dos cidadãos de expressarem livremente suas opiniões, mas espera que as manifestações se deem de forma pacífica. A empresa afirmou ainda que “espera que seus trabalhadores não sejam impedidos de exercerem suas atividades”.

Negociação. Na semana passada, o diretor-presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza, foi ao gabinete do Ministro do Trabalho, Miguel Rosseto, apresentar “as razões técnicas e econômicas” para a companhia desativar temporariamente as atividades das áreas primárias da usina a partir de janeiro.

Em entrevista durante o 56º Congresso da Associação Latinoamericana do Aço (Alacero), em Buenos Aires, Souza evitou responder se a Usiminas estuda minimizar ou voltar atrás na medida, anunciada onze dias atrás, quando a empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 1,042 bilhão no terceiro trimestre do ano.

Apesar de afirmar que a medida é temporária, ele não deu horizonte para sua reversão. “A Usiminas aguarda a recuperação do mercado”, disse.

Questionado se a desvalorização do real não seria suficiente para dar fôlego à companhia e à usina de Cubatão, que destina grande parte de sua exportação ao exterior, Souza foi taxativo: “A exportação não é saída, é uma alternativa. Estamos readequando a empresa ao tamanho do mercado”, disse, destacando que outras moedas de concorrentes se desvalorizaram ainda mais que o real e que a China continua exportando aço fortemente.

No terceiro trimestre, 64% da produção da Usiminas ficou no mercado interno e 36% dela foi destinada ao mercado externo. A operação de Ipatinga, em Minas Gerais, tem 90% de sua produção destinada ao mercado doméstico, enquanto Cubatão seria responsável por boa parte do volume exportado.

O executivo da Usiminas admitiu que as medidas “antidumping” e uma sobretaxa de 60% adotada pelos Estados Unidos contra a importação de laminados, inclusive do Brasil, têm dificultado a colocação do produto da Usiminas no mercado americano. / COM INFORMAÇÕES DA REUTERS 

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