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Trabalhadores da Varig devem explicar proposta até segunda

O juiz Luiz Roberto Ayoub da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, responsável pela recuperação da Varig, intimou na tarde desta sexta-feira os Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) a prestar esclarecimentos sobre a proposta de aquisição da companhia, até às 14h da próxima segunda-feira. Isso confirma oficialmente o adiamento do anúncio da decisão de Ayoub de validar ou não o leilão da Varig, vencido pela TGV.O TGV foi o único a formalizar uma proposta no leilão de ontem no valor de US$ 449 milhões (R$ 1,010 bilhão), que é quase metade dos US$ 860 milhões avaliados pelos organizadores para a venda da Varig, como preço mínimo para a operação, incluindo operações internacionais e domésticas. Na primeira etapa do leilão, quando o valor mínimo deveria ser obedecido, nenhuma proposta foi apresentada. Na segunda etapa, sem preço mínimo, o TGV fez sua proposta. O Tribunal de Justiça do Rio informou que a principal dúvida é com relação às garantias de parcela de recursos que a TGV estaria disposta a pagar inicialmente, mas cuja origem não foi revelada.Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, caso o TGV não cumpra esse prazo, uma das possibilidades é a reapresentação de propostas pelos cinco grupos de investidores que se pré-qualificaram para o leilão da Varig, realizado ontem. Entre os participantes do leilão cadastraram-se: TAM, Gol, Ocean Air; NV Participações (empresa criada pela TGV); e o escritório Ulhôa Canto Rezende e Guerra, que representa fundos de investimento. Governo lavou as mãosO governo lavou as mãos com relação à Varig. A avaliação que corria ontem nos bastidores da Esplanada dos Ministérios é que a tendência é a empresa ir à falência, mais cedo ou mais tarde. Mesmo se a oferta da TGV for aceita e o negócio se concretizar, o futuro da Varig permanece inseguro, pois a empresa necessita urgentemente de capital de giro, avaliam técnicos. Além disso, ela está ameaçada de perder aviões a partir do próximo dia 13, quando acaba o prazo dado pela Justiça de Nova York, no processo movido pela empresa proprietária das aeronaves. Os problemas não acabam aí. A Infraero, estatal federal que opera os aeroportos brasileiros, está pressionando o Ministério Público para que mova processo criminal contra os administradores da Varig por apropriação indébita de R$ 27 milhões em taxas de embarque. A aérea estaria recolhendo a taxa dos passageiros, mas não repassando os valores para a estatal dos aeroportos, como deveria. Esse montante se soma aos R$ 540 milhões devidos pela Varig em taxas à Infraero.Para o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, é fácil entender por que as grandes aéreas não fizeram ofertas. Elas estariam esperando a Varig quebrar, pois nesse caso as linhas hoje operadas pela empresa serão redistribuídas. "A primeira regra de mercado diz que, se você pode obter algo de graça, não vai pagar por isso", disse. "Se a oferta da TGV não for aceita e o juiz decretar a falência da Varig, tudo vai cair no colo das empresas por um preço infinitamente menor do que o pedido no leilão."Quem é o TGVO TGV foi criado em 2003 por um grupo de três associações de trabalhadores da empresa, representantes de pilotos (Apvar), comissários (Acvar) e mecânicos de vôo (Amvvar). No mesmo ano, as três associações criaram a NV Participações (sigla para Nova Varig), com capital social de R$ 4.500, e cujo objetivo específico era participar do capital da Fundação Ruben Berta. Nova Varig.Assessorada pelo economista Paulo Rabello de Castro e pelo advogado Jorge Lobo, o TGV sempre defendeu o uso de recursos do fundo de pensão Aerus para capitalizar a Varig. Coordenado por Márcio Marsillac, o grupo acumula histórias polêmicas dentro da empresa. No mês passado, o TGV foi autor de um dos três pedidos de empréstimo-ponte para capitalizar a Varig, junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). A proposta, que dava como garantia operações de descontos na folha de salário dos funcionários e ações da própria Varig, foi rejeitada pelo BNDES, que considerou insuficientes as garantias.O TGV foi responsável por incluir no leilão a proposta de venda da Varig Operacional (unindo as áreas doméstica e internacional), pelo preço mínimo de US$ 860 milhões. O formato inicial previa apenas a venda da parte doméstica, isolada da internacional - que continuaria com as dívidas - por US$ 700 milhões. O grupo disputa poder político e a representatividade de funcionários com o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), briga que já foi parar nos tribunais. Com base em uma liminar, o TGV é hoje o representante dos funcionários. O SNA alega que essa representatividade foi obtida com base em uma assembléia fraudada e acusa o TGV de conflito de interesses por defender interesses comerciais na NV. Na assembléia de credores que aprovou o plano de recuperação, em dezembro do ano passado, durante um bate-boca entre os dois grupos, um representante do TGV chegou a agredir fisicamente um dirigente do sindicato.Na proposta apresentada hoje no leilão, a NV contou com a assessoria da consultoria financeira Invest Partners, com quem tem contrato assinado desde dezembro do ano passado. Pelo contrato, a Invest Partners se propõe a buscar investidores para capitalizar a Varig e estabelece uma comissão de 2,5% a 4% sobre investimentos e descontos em financiamentos obtidos no mercado.

Agencia Estado,

09 de junho de 2006 | 16h09

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