Werther Santana/Estadão
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Covid-19

Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

VW e trabalhadores fazem acordo que preserva salários

Jornada de trabalho será reduzida em 30%, mas, com dinheiro do seguro-desemprego e complementação da empresa, não haverá perdas

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2020 | 21h35
Atualizado 21 de abril de 2020 | 21h10

Trabalhadores da Volkswagen do Brasil aceitaram  a proposta da empresa de redução da jornada e dos salários em 30%  em assembleias on line realizadas na segunda-feira e hoje, 21. A medida vale para os cerca de 17 mil funcionários das quatro fábricas e outras unidades do grupo no País e terá validade por três meses.

Pelo acerto feito, os salários líquidos (descontados INSS e IR) serão mantidos. O desconto vai recair sobre o salário bruto e, aplicados os critérios da MP 936 será possível obter o complemento de renda, sendo parte paga pelo governo por meio do seguro desemprego e parte pela empresa, que vai bancar a diferença para que não haja impacto no valor que o funcionário recebe mensalmente. 

Segundo Wellington Damasceno, diretor de políticas industriais do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a empresa prevê o retorno parcial da produção no dia 18 de maio, se as condições relativas à pandemia do coronavírus estiverem controladas. Nessa data devem retornar à fábrica do ABC paulista parte dos funcionários da produção para trabalho em um turno.

No caso da fábrica de São Bernardo do Campo, um grupo de cerca de mil operários entrará em lay-off (suspensão temporária dos contratos) e outra equipe, com 1,2 mil pessoas que está em casa desde o início de janeiro nessa condição voltará ao trabalho em junho, segundo Damasceno.

Sustentabilidade do negócio

"Os efeitos provocados pela pandemia do novo coronavírus levaram a VW a aplicar novas medidas de flexibilidade previstas em acordo coletivo de trabalho, negociadas em parceria com os sindicatos de todas as nossas operações no País", afirmou o presidente da Volkswagen para a América Latina, Pablo Di Si, em nota divulgada no início da noite desta terça-feira. "Temos o compromisso de proteger o emprego e evitar demissões, além de garantir a sustentabilidade do nosso negócio", acrescentou.

“Não tenho relato de nenhum outro acordo, até agora, em que o trabalhador vai receber 100% do salário líquido”, disse Damasceno. “Até por isso, no ABC houve aprovação de 99% entre os 5.411 trabalhadores que votaram.” 

No retorno à fábrica do ABC, o foco deve ser a produção do Nivus, utilitário-esportivo (SUV) totalmente desenvolvido no Brasil que será lançado no fim deste semestre. A montadora está preparando a fábrica para evitar o contágio do coronavírus e vai fornecer máscaras e luvas, além de medir a temperatura de todos diariamente.

Haverá mais ônibus de transporte dos funcionários para que não fiquem muito próximos no trajeto até a fábrica e o maquinário de trabalho será disposto de forma que todos mantenham distância prevista pelos órgãos de saúde. As mesmas medidas serão adotadas nas fábricas de Taubaté e São Carlos, em São Paulo, e na de São José dos Pinhais (PR). 

Retomada parcial na Pirelli

Até agora, entre as montadoras que já fecharam acordos de redução de jornada e salários e de suspensão temporária de contratos em diferentes condições  estão General Motors, FCA Fiat Chrysler, Toyota, Nissan, PSA Peugeot Citroën e Caoa/Chery.

Na segunda-feira, parte dos trabalhadores da fabricante de pneus Pirelli, que estavam em férias coletivas desde 23 de março,  retomou atividades parciais nas unidades fabris de Campinas (SP) e Gravataí (RS). A unidade de Fira de Santana (BA) segue parada.

 

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