Trabalhadores de Jirau e Santo Antônio param por salário

Pelo menos 8 mil operários que constroem as duas usinas de Rondônia reivindicam aumento salarial de até 50% e melhores condições de trabalho

Munique Furtado, PORTO VELHO, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

Pelo menos 8 mil trabalhadores das Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Porto Velho (RO), entraram ontem no segundo dia de greve geral. A paralisação foi reforçada com mais 300 operários que trabalham na construção do Centro Político Administrativo de Rondônia, em obras do governo do Estado, da prefeitura e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.

Carpinteiros, pedreiros, ajudantes, ferreiros e eletricistas reivindicam aumento salarial de até 50% e melhores condições de trabalho, transporte, alimentação, segurança e assistência em saúde e familiar. De acordo com os grevistas, os salários estão defasados e as horas extras não estão sendo pagas, nem o salário-família.

Hoje, o Ministério do Trabalho e Emprego deve intermediar uma reunião entre representantes dos sindicatos patronal e dos trabalhadores para discutir a pauta de reivindicações. "Conforme a evolução das negociações, a greve pode acabar na sexta-feira. Mas é pouco provável que isso venha a ocorrer", disse o administrador do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero), Anderson Machado.

"Eu vim de Belém, onde fui contratado, tivemos promessa de que nossos salários seriam aumentados com o tempo e receberíamos o salário-família, mas até hoje, nada", disse o carpinteiro Jonas Lima, que trabalha para a Camargo Corrêa na construção da Usina de Jirau.

Por dia de obra parada, cada canteiro acumula prejuízo de R$ 1 milhão, afirma o presidente do Sindicato da Construção Pesada do Estado de Rondônia (Sinicon), Renato Lima, que também representa as empresas construtoras das usinas nas negociações com os trabalhadores. O Sinicon entrou ontem com uma ação na Justiça para questionar a legalidade da greve e para validar o dissídio dos trabalhadores.

Esse valor pode chegar a R$ 6 milhões por dia, segundo o diretor da Eletrosul, Ronaldo Custódio, que pertence ao grupo Eletrobrás, empresa que participa do consórcio responsável pela Usina de Jirau. Ele explica que o prejuízo é dividido em duas partes, sendo R$ 1 milhão diário para manter a infraestrutura e os empregados no canteiro de obras, e R$ 5 milhões por dia que a energia deixará de ser vendida, quando a hidrelétrica começar a funcionar.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que a greve dos operários não deverá atrasar cronograma da obra. "Isso é uma coisa normal. Acho que eles vão resolver e isso não deverá atrasar o cronograma", disse.

NEGOCIAÇÕES

O presidente do Sticcero aguarda uma resposta das empresas para uma primeira rodada de negociações e diz que o movimento segue por tempo indeterminado. "Os trabalhadores formaram uma comissão de abordagem em pontos estratégicos para convidar os colegas a aderir ao movimento. A manifestação é pacífica e a adesão ao movimento grevista é satisfatória. Todas as atividades nos canteiros de obras estão paralisadas."

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT/RO), Itamar Ferreira, explica que a intenção do movimento é conseguir igualar o piso salarial dos operários em Porto Velho aos valores pagos nos grandes Estados. "Não é só porque estamos na Amazônia e fora do eixo que temos de nos sujeitar aos baixos salários e condições precárias de trabalho."

COLABORARAM WELLINGTON BAHNEMANN E LEONARDO GOY

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.