Trabalhadores invadem fábrica

Os metalúrgicos da Tyco Dinaço haviam sido demitidos por telegrama

Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

Cerca de 120 metalúrgicos montaram acampamento no pátio da fabricante de tubulações de aço Tyco Dinaço ontem, depois de invadirem a empresa no início da manhã, na Vila Jaguara (zona oeste da capital paulista). Os trabalhadores protestam contra o fechamento da unidade da capital paulista e a demissão de funcionários por telegrama, no sábado. Segundo o sindicato dos metalúrgicos de São Paulo, a empresa cortou todos os 162 postos de trabalho. A Tyco confirmou a demissão de 120 pessoas e informou que a área de vendas, que emprega outras 30, vai ser mantida.Hoje, às 14 horas, os sindicalistas vão se reunir com representantes da empresa para na tentativa de reverter as demissões. Inicialmente, o sindicato exigia um pacote de benefícios para os demitidos, mas mudou de opinião depois de conversar com os trabalhadores durante a tarde. "O trabalhador não está preocupado com indenização na demissão, está preocupado com o emprego", disse o diretor do sindicato, David de Carvalho. Caso não cheguem a um acordo, os trabalhadores estão preparados para passar vários dias no pátio da empresa. "Já trouxemos barracas, colchões e hoje (ontem) à noite vamos fazer um churrasco aqui", disse o assessor do sindicato, Isaac Gabriel. Diretor geral da Tyco, Valdecir Bersaghi disse que os cortes ocorreram por causa da crise econômica e que a produção será unificada em Caxias do Sul (RS), onde serão gerados 40 novos empregos. "Concentrar a produção irá proporcionar uma redução significativa de custos." No ano passado, parte dos metalúrgicos já havia sido avisada que a Tyco passava por dificuldades. "Antes das férias coletivas nos disseram que teria cortes", afirma o operador de máquina Adonias Cardoso, de 41 anos. Segundo os trabalhadores, há duas semanas a empresa fechou uma fábrica no bairro da Mooca, zona leste da capital paulista. A Tyco não confirmou a informação. O sindicato dos metalúrgicos de São Paulo aprovou ontem mais um acordo coletivo para suspensão do contrato de trabalho na Basso Componentes Automotivos. O acerto com o sindicato prevê a suspensão do contrato de até 50 dos 240 funcionários da empresa por um período de dois a cinco meses. Duas outras indústrias da capital paulista, a Mauser e a Novex adiaram por uma semana a decisão da negociação sobre a flexibilização do contrato de trabalho com o sindicato. "As empresas querem ver se essa semana vai sair algum acordo entre as centrais sindicais, federações das indústrias e governo", disse o sindicalista Carvalho.

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