FELIPE RAU/ESTADÃO
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Trabalhadores não conseguem poupar

Sem carteira assinada, eles deixam de contribuir ao INSS

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2019 | 05h00

Robson Faria e Renata Lima Caroccini sempre trabalharam com carteira assinada e contribuíram para o INSS, de olho na aposentadoria. Nos últimos tempos, no entanto, eles migraram para o regime de pessoa jurídica (PJ) e passaram a pagar um valor mínimo – ou nada – para a Previdência Social. Eles sabem que terão de poupar por conta própria se quiserem ter uma segurança maior na velhice. Mas, por enquanto, os dois não têm tido disciplina para destinar parte da remuneração para novos investimentos.

É o caso de Robson Faria, de 40 anos, que atua na área financeira de uma empresa. Há três anos, a companhia na qual trabalha fez a proposta para que se tornasse prestador de serviços, como pessoa jurídica. No meio da crise econômica e com o aumento do desemprego, ele não pestanejou e aceitou mudar o regime de contratação. A lógica parecia vantajosa. Além de continuar empregado, ele ainda teria um aumento de 8% no salário e um valor a mais para compensar o Imposto de Renda.

“No começo parecia bom, afinal os 8% do fundo de garantia que ficavam praticamente parados, com baixa remuneração, passaram diretamente para minhas mãos e o meu controle”, afirmou Faria.

Evaporou. O problema, disse, é que o aumento da renda entrou no orçamento mensal e foi consumido pelas contas. “Não consegui fazer poupança, não consegui pagar a Previdência e estou depreciando o que já guardei”, disse ele, que trabalha desde os 13 anos com carteira assinada. “A conclusão que chego é que, no longo prazo, o regime CLT (com carteira assinada) é mais vantajoso.”

A enfermeira Renata decidiu mudar para o regime de pessoa jurídica de olho numa melhor qualidade de vida. Ela, que sempre trabalhou em hospital, decidiu criar uma empresa e prestar consultoria. “Estou ganhando um pouco menos, mas consigo fazer mais coisas no meu dia a dia, como buscar meu filho na escola, estudar e fazer academia”, disse.

Antes de virar PJ, ela contribuiu para o INSS pelo teto máximo e já tinha uma previdência privada. Agora, paga o valor mínimo como precaução. A ideia de Renata é aumentar a fatia de dinheiro destinada a investimentos para a aposentadoria. Mas, por enquanto, ainda não conseguiu cumprir a meta.

 

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