Trabalhadores se mobilizam para investir no pré-sal

Eles querem direito de usar o FGTS

Cleide Silva, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

Representantes da sociedade civil já se mobilizam para garantir o direito dos trabalhadores de investir parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ações do pré-sal, ao contrário do que pretende o governo. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no que depender do governo, quem comprou ações da Petrobrás com o FGTS vai ter de "tirar dinheiro do bolso" para acompanhar a União no processo de capitalização da empresa.

"A Câmara aprovou recentemente o aumento do porcentual de 10% para 30% que o trabalhador poderá investir em projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento); por que não permitir a aplicação no pré-sal, que certamente será mais vantajoso?", questiona o presidente do Instituto FGTS Fácil, Mario Avelino.

A entidade sem fins lucrativos foi criada em 2001 para fiscalizar a aplicação e os depósitos do Fundo. Ontem mesmo, Avelino iniciou campanha para coletar assinaturas e levar à Câmara proposta de diversificação das aplicações. Ele defende que o trabalhador possa utilizar parte do depósito do Fundo para adquirir ações do PAC e parte do pré-sal.

Desde 2001, quando parte do saldo do FGTS foi liberado para compra de ações da Petrobrás, até ontem, os papéis da empresa apresentaram valorização de 767,32%. No mesmo período, o FGTS depositado na conta do trabalhador rendeu apenas 59,75%.

"O ganho adicional foi de 707,57%", constata Avelino. Em maio do ano passado, antes da crise internacional, o ganho chegou a 1300%. Para ele, deixar o trabalhador de fora do pré-sal "é uma sacanagem".

A aposentada carioca Márcia Chaves Valentim, que em 2001 trabalhava como pedagoga, é uma das 258 mil pessoas que na época aplicaram parte do FGTS em ações da Petrobrás. Ela colocou R$ 12 mil nos papéis da estatal e hoje tem cerca de R$ 100 mil. "No ano passado, o saldo beirou os R$ 200 mil, mas depois houve uma queda brusca no rendimento", lamenta Márcia.

Ainda assim, ela afirma confiar no retorno do ganho e não pretende mexer na aplicação nos próximos dois ou três anos. Ela diz que, se tivesse condições, aplicaria no pré-sal mesmo com dinheiro próprio. "Hoje não tenho disponibilidade, mas eu diria para quem tem essa oportunidade para não perdê-la".

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