Trabalhadores votam por continuidade da greve nos Correios

Funcionários da empresa estatal rejeitam novamente proposta do TST; objetos parados já somam 84 milhões

Giuliana Vallone e Ricardo Valota, do estadao.com.br, e Gerusa Marques, da AE,

11 de julho de 2008 | 15h51

Os funcionários dos Correios decidiram em assembléias pela continuidade da greve, que completa 11 dias nesta sexta-feira, 11. Os encontros serviram para que os trabalhadores votassem a proposta do ministro Rider Nogueira de Brito, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), para pôr fim à paralisação, que foi rejeitada. No décimo dia de greve, 35% dos 240 milhões de correspondências postadas desde o inicio da paralisação ainda não haviam sido entregues, correspondendo a 84 milhões. Entre as encomendas, apenas 6% de um total de seis milhões, diz a ECT, não haviam chegado ao destinatário. A adesão ao movimento era de 19%, num total de 108 mil empregados, e de 30% considerando-se os 53 mil carteiros. Segundo o sindicato da categoria, a paralisação atinge 24 Estados do País mais o Distrito Federal. Permanecem suspensos os serviços de entrega com hora marcada, como Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta. De acordo ainda com os Correios, das suas 7.037 unidades no País inteiro, em 390 (5,5%) os funcionários não cumpriram a determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de manter no mínimo 50% dos funcionários trabalhando. A assessoria da ECT informou que a maior parte dessas 390 unidades não é de agências abertas ao público, mas centros de distribuição de correspondências e encomendas. Proposta Na quinta à noite, o ministro se reuniu, em horários diferentes, com o presidente da ECT, Carlos Henrique Custódio, e com o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Manuel Cantoara. Aos dois, ele entregou o documento no qual detalhou a proposta em sete cláusulas, enfatizando sua disposição para intermediar as negociações, mediante a realização de duas reuniões por semana, até o final de julho, em busca de uma solução negociada para o conflito.  Nas primeiras cláusulas, o ministro propôs que a ECT suspendesse a aplicação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) de 2008, "exclusivamente em relação aos carteiros que prestam serviços externos, prevalecendo todas as condições anteriores". Com isso, os carteiros deixariam de receber o valor linear de R$ 260, que foi estabelecido pelo novo plano, e voltariam a receber, em julho e agosto de 2008, os 30% de abono, como acontecia antes. Como contrapartida, o ministro propôs a suspensão da greve a partir desta sexta-feira.  Nas cláusulas seguintes, a proposta trata dos compromissos que as duas partes devem assumir para voltar a discutir o plano de cargos, com a intermediação do presidente do TST. Na próxima terça-feira, o presidente do TST decidirá se encaminha ou não a julgamento o processo em que a ECT pede que a greve seja declarada abusiva. Além disso, haverá nova audiência entre os trabalhadores e a empresa.

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