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Trabalhar muitas horas tem um preço. Para as empresas

Companhias criam meios de tornar jornada longa menos estressante

Kelley Holland, The New York Times, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2008 | 00h00

Se você já se queixou pelo fato de a lavanderia só abrir às 7h da manhã e seu filho não sabe em que país você está esta semana, muito provavelmente você está trabalhando demais, o que está se tornando cada vez mais comum para muitos executivos. Oficialmente, a jornada média semanal de trabalho mudou pouco nos últimos 20 anos. Mas os números mascaram uma modificação entre as pessoas que mais trabalham. Em 1983, os trabalhadores com salário mais baixo eram os que tinham o expediente mais prolongado, segundo a Agência Nacional de Pesquisas Econômicas. Mas em 2002, os trabalhadores mais bem pagos tinham duas vezes mais probabilidade de ter um expediente tão longo quanto os menos pagos. Enquanto membros de uma sociedade, temos sido ambivalentes com longas horas de expediente. Desde o fim do século XVIII, houve inúmeras reivindicações de redução da jornada de trabalho. Naquela época, era até comum passar 70 ou mais horas semanais fazendo o mesmo tipo de trabalho manual.Porém, uma pesquisa realizada entre trabalhadores americanos com altos salários, divulgada em 2006 pelo Centro de Política para a Vida do Trabalho, concluiu que 21% deles - na maior parte homens, deve-se destacar - disseram trabalhar pelo menos 60 horas por semana em condições extremamente estressantes. E dois terços dos entrevistados afirmaram adorar seu trabalho. O professor de economia Robert Whaples, da Wake Forest University, afirma que, teoricamente, quando a maioria das pessoas trabalhava 12 horas por dia, ter um momento qualquer livre era prioridade. "Mas a redução geral da jornada de trabalho contribuiu para diminuir a necessidade de tempo livre, pelo menos para alguns trabalhadores."No entanto, uma longa jornada de trabalho tem um preço considerável. É muito difícil manter um estilo de vida saudável se o trabalho e o transporte consomem mais de 60 horas semanais. Funcionários excessivamente cansados ou preocupados com os problemas pessoais que não podem resolver não conseguem apresentar seu melhor desempenho. É do interesse dos executivos ajudar a equipe a encontrar formas para produzir mais em menos tempo, e é o que alguns estão tentando. A Sprint Nextel, por exemplo, oferece aos seus funcionários alguns serviços para economizar tempo, como a possibilidade de obter receitas médicas no trabalho e ajuda no planejamento das viagens, disse Collier Case, diretor de saúde e produtividade da Sprint. Há também incentivos para o funcionário se manter ativo no trabalho: a sede em Overland Park, Kansas, cobriu as passagens entre os prédios, e as escadas interiores dos edifícios têm design atraente. Alguns elevadores operam a velocidades propositalmente lentas. Outras companhias decidiram tratar de forma direta o problema. Há um ano, o grupo de gerenciamento dos serviços financeiros da Ernst & Young começou a planejar sua temporada de trabalho mais intenso, entre fevereiro e maio, quando são comuns expedientes de 11 a 12 horas diárias. Arthur Tully, o sócio encarregado do grupo, buscou consultores para ajudar a modificar o estilo de trabalho do grupo. Os consultores enfatizaram a ineficiência do sistema de tarefas múltiplas (em que nada acaba sendo realizado muito bem); a necessidade de um período de sono adequado, exercício e uma dieta saudável; e a importância de tempo para tratar de prioridades pessoais. As coisas mudaram. Duas vezes ao dia foi oferecida fruta gratuitamente, e baguetes com cream cheese foram substituídos por granola e fruta. Os funcionários também foram aconselhados a limitar as horas de trabalho nos finais de semana a um dia só, quando fosse viável, e a irem para casa para ficar com a família nas noites de sexta-feira. "Dizem que quanto mais a pessoa trabalha, melhor ela se torna", disse Tully. "Está totalmente errado". Foi a temporada de maior trabalho do grupo, observou Tully, mas a jornada dos funcionário diminuiu. Ele ainda não sabe qual foi o efeito do programa no faturamento, mas sentiu mudanças. E os funcionários se queixaram imediatamente quando acabou a temporada de frutas gratuitas.. "Aí a fruta voltou", disse Tully.

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