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Trabalhe suas emoções

Em condições normais, a maioria de nós encontraria inúmeros motivos para uma não vitória em cima da seleção alemã - erro de escalação, esquema tático, ausência de jogadores, superioridade do adversário. Contudo, para uma derrota tão vergonhosa, somente a ocorrência de um fato que explique a espécie de colapso que atingiu pernas, pés e mentes dos jogadores durante aquela partida. Minha aposta? Desequilíbrio emocional.

Ruth Duarte, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2014 | 02h06

Comecei a pensar no tema para este artigo uma hora após o inacreditável Brasil 1 x Alemanha 7. Coração apertado, assustada com um placar tão inglório, com a sensação terrível de desconforto interior e uma espécie de estado de luto - provavelmente compartilhado com a maioria dos brasileiros - vivenciava naquele momento uma situação quase impeditiva para criação de qualquer texto. Meu emocional estava comprometido.

Alguma dúvida sobre o poder limitante ou até destrutivo quando nossas emoções não estão alinhadas? Acredito que não. Assim, resolvi discorrer sobre competência emocional, que embora seja um assunto recorrente, torna-se oportuno em virtude das evidências. Afinal este tema passa a ser um dos grandes legados desta Copa.

Então pare e reflita: Como você lida emocionalmente com as pressões, os prazos, os desafios, em seu cotidiano profissional? Entendê-las como um fardo pesado, dar espaço para o desânimo diante dos obstáculos e adotar padrões de comportamentos inflexíveis é um passaporte para a frustração.

Equilíbrio é a palavra de ordem em mundo ágil e de tantas exigências. Certamente não é trivial aquietar as ansiedades, controlar os impulsos, não se deixar levar pelo stress, mas esta deve ser a busca. Sem equilíbrio parece não haver salvação para discernir entre o que deve, o que pode e o que não se deve fazer. Saber canalizar as emoções para a concretização dos seus objetivos é uma conquista, adotar uma postura resiliente diante de possíveis entraves, é uma questão de sabedoria.

O arsenal de emoções que convivemos diariamente é vasto, e se não aprendermos a administrá-lo, ele se tornará nosso inimigo. O mundo corporativo entende a necessidade de potencializar as competências técnicas, mas tem dado importância vital para a expansão das competências emocionais. Altamente compreensível! O profissional que sabe lidar de forma equilibrada com as emoções contribui de forma significativa para as relações de trabalho e adquire condições mais favoráveis para ações bem direcionadas.

O estudioso Daniel Coleman entende que a inteligência emocional pressupõe a aquisição de competências:

- O autoconhecimento: exercício que deve ser praticado continuamente para a consciência de nossas emoções.

- A autoconfiança: quando estamos plenos para alcançar resultados.

- O autocontrole: quando sabemos a hora de esperar ou de agir

- A automotivação: capacidade para encontrar elementos internos que o motivem para uma ação.

Na verdade, são recursos íntimos e apoios mais do que eficazes para proteger nossas emoções. Quando não buscamos estas competências, quando adotamos atitudes que contrariam esta linha emocional, transitamos em um círculo vicioso que invariavelmente compromete o desenvolvimento de nossa carreira.

Se não estamos conscientes do nosso estado emocional, se a autoconfiança é questionável e o controle de nossos impulsos é falho, nossos limites para o alcance de qualquer objetivo serão intransponíveis. Nada impede a decepção pela não realização de um projeto, seja pessoal ou profissional, afinal inúmeros fatores externos podem exercer influência em nossos atos, mas deixar-se abater diante dos fracassos ou cultivar a melancolia a ponto de atingir negativamente a autoestima é um salto sem rede.

Uma área emocional em desajuste é muitas vezes irrecuperável, não possibilita atitudes vencedoras e profissionalmente nos pode entregar aos porões da decadência. Exagero? Pode ser. Mas a ocasião após o placar inesquecível de 7x1 permite.

Que sirva de lição para todos nós o que significa não buscarmos nossa maturidade emocional. Este será legado da Copa de 2014.

*Ruth Duarte é gerente de carreiras do Ibmec/RJ

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