Itaci Batista/Estadão
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Trabalho com carteira assinada no setor privado cai 1,9% em abril, informa IBGE

Segundo o IBGE, o corte de 219 mil vagas foi puxado pela indústria nas seis regiões metropolitanas pesquisadas

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2015 | 12h27


O emprego com carteira no setor privado caiu 1,9% em abril ante o mesmo mês de 2014, o que significa um corte de 219 mil vagas desse tipo nas seis principais regiões metropolitanas do País, informou nesta quinta-feira, 21, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "São sinais claros de um mercado de trabalho bem diferente do ano passado, quando esses fatos não estavam ocorrendo", afirmou Adriana Beringuy, técnica de Coordenação de Trabalho e Rendimento do órgão.

Segundo Adriana, é provável que a indústria esteja puxando esse mau desempenho do emprego com carteira, já que o setor é um dos principais empregadores formais. Em abril, a atividade dispensou 168 mil trabalhadores ante abril de 2014, queda de 4,7% no período. "Cerca de 72% dos trabalhadores da indústria têm carteira assinada. Se essa é um das atividades que está demitindo, é de se esperar que tenha impacto no emprego com carteira", afirmou a técnica do IBGE.

Em abril, houve ainda redução de 3,0% no emprego sem carteira no setor privado ante abril do ano passado, redução de 59 mil pessoas. Por outro lado, a modalidade conta própria cresceu 2,2% no período, o que significa 96 mil pessoas a mais nessa condição. "O trabalhador por conta própria consolida a tendência de crescimento em 2015", disse Adriana.

Jovens. A taxa de desocupação em abril cresceu mais entre a população jovem, de 18 a 24 anos. Em abril deste ano, a taxa de desemprego nesta faixa etária atingiu 16,2%, contra 15,7% em março e 12,0% em abril de 2014.

"A taxa de desemprego cresceu em todas as faixas etárias, mas entre os mais jovens o avanço foi maior", afirmou Adriana. "A redução da população ocupada foi importante entre eles, e provavelmente a inatividade agora está crescendo menos justamente nos grupos etários mais jovens, que estão pressionando o mercado de trabalho. Há tanto uma redução na ocupação (entre os jovens) como também uma maior procura por parte deles", acrescentou.

A técnica do IBGE frisou que o desemprego e a procura por uma ocupação aumentaram em todas as idades. No grupo de 25 a 49 anos, a taxa de desocupação ficou em 5,3% em abril deste ano, contra 5,1% em março e 4,0% em abril de 2014.

"Não quer dizer que só jovem está buscando trabalho. Todo mundo está buscando. Quando a desocupação aumenta, todo mundo sai à procura de emprego", disse Adriana.

Houve aumento inclusive entre os brasileiros de 50 anos ou mais. Nessa faixa etária, a taxa de desemprego ficou em 2,6% em abril deste ano, contra 2,3% em março e 1,7% em abril de 2014. Segundo Adriana, o movimento pode ser explicado tanto por aposentados que decidem voltar à atividade diante do cenário adverso quanto por pessoas que postergam o processo de aposentadoria.

Entre os homens, o nível da ocupação ficou em 61,2% em abril de 2015, contra 62,6% em igual mês do ano passado. Entre as mulheres, esse indicador ficou praticamente estável: 44,6% contra 44,8% na mesma base de comparação.

O nível da ocupação é um índice que representa a proporção de pessoas empregadas em relação à população em idade de trabalhar.

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