coluna

Louise Barsi: O Jeito Waze de investir - está na hora de recalcular a sua rota

Trabalho local segura migrantes

O secretário da Agricultura do município baiano Lagoa Real, região de Vitória da Conquista, a 517 quilômetros de Salvador, Valdemir Soares Martins, diz que o trabalhador nordestino aprendeu a valorizar sua força de trabalho e a região passa por mudanças de cultura no setor. "Eles hoje dão mais valor ao trabalho local e há uma série de políticas de incentivo para permanência deles por aqui", diz. "Hoje temos Bolsa Família, seguro de safra, Bolsa Estiagem, que ajudam a agricultura familiar."

O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h04

Segundo Martins, a mecanização da lavoura no sul e a falta de segurança pública nos centros urbanos, como São Paulo, também colaboram para afugentar o trabalhador migrante. O secretário acredita que muita gente passou a buscar treinamento e aperfeiçoamento para trabalhar em outras áreas, como construção civil e comércio. "Eu diria que cerca de 30% dos trabalhadores daqui da região que migravam em busca de trabalho hoje já não fazem mais isso."

Fracasso. Osni Manteli, gerente de Recursos Humanos da GT Foods, de Maringá, dona da marca Frangos Canção, passou duas semanas percorrendo municípios de Alagoas e Bahia em busca de operários. Mas fracassou. "Estive no Sine de várias cidades", conta. "Segundo esses órgãos, não há interesse das pessoas em vir trabalhar no Paraná, especialmente pelo fato de que as pessoas que querem fazer isso têm o hábito de vir para trabalhar na safra da cana e ao final do ano costumam voltar e ficar uns 3 meses de folga. Para nós isso não serve. Queremos pessoas interessadas em fixar residência aqui", explica.

Em Alagoas, Manteli percorreu São Miguel dos Campos, Arapiraca, São Sebastião e Junqueiro. Procurou rádios para divulgar as ofertas de trabalho no Paraná, fez anúncios em carros de som pelas ruas. Mas só conseguiu 60 interessados em Junqueiro, a 107 quilômetros de Maceió. Na Bahia, ele foi a Brumado, Caetité, Anagé, Lagoa Real e Guanambi, cidades à beira da rodovia estadual 030. "Apenas 3 pessoas se inscreveram", lamenta.

Para Cícera Maria de Vasconcelos Brandão, diretora do Sine de Arapiraca, não é possível atender à demanda de empresas do Centro-Sul porque o município vive momento de boa oferta de trabalho. "Temos aqui um shopping sendo terminado em setembro e um distrito industrial que estão oferecendo emprego." / P.P.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.