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Moradores da favela Marte lutam para se libertar das condições de exclusão social

País tem 33,1 milhões de pessoas que convivem com a fome; 23 milhões, ou 10,8% da população, têm renda mensal de R$ 210, o equivalente a R$ 7 por dia.

Luiz Carlos Trabuco Cappi, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2022 | 05h00

As estatísticas da desigualdade social revelam toda a sua dramaticidade a cada divulgação dos institutos públicos e privados. Com acréscimo de 14 milhões no último ano, há hoje um contingente de 33,1 milhões de pessoas que convivem com a fome no Brasil, segundo pesquisa publicada por este O Estado de S. Paulo no início de junho.

Dados compilados pela FGV-Social sobre números do IBGE mostram que 23 milhões, ou 10,8% da população, têm renda mensal de R$ 210, o equivalente a R$ 7 por dia.

São dados que incomodam e frustram. A indicação é que estamos fracassando no projeto de sermos uma nação inclusiva e justa.

Eu já havia visitado comunidades carentes em várias regiões do País e, desta feita, no início de junho, conheci a favela Marte, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo.

Percebi ali o engajamento da comunidade na busca de saídas coletivas para o problema da pobreza, a partir de um trabalho de dentro para fora, de baixo para cima, começando pela conscientização das famílias.

Entre caminhos de terra batida, em precários barracos de madeira e papelão sem acesso à infraestrutura básica, existe uma população de quase mil pessoas, entre adultos e crianças.

Lá, conheci uma comunidade que não está amorfa e acomodada. Essas pessoas lutam para se libertar das condições de exclusão social, a partir de um processo de compreensão sobre a sua realidade e as alternativas para transformá-la.

O movimento é articulado pelo Instituto Gerando Falcões. Os primeiros passos são educação, cultura, emprego e reurbanização. A fórmula é composta pela intervenção sistêmica na favela com visão multissetorial, me explicou Edu Lyra, CEO da ONG, por quem fui convidado a conhecer de perto aquela comunidade.

A favela Marte quer ser um símbolo de como se pode enfrentar a desigualdade sem paternalismo, um modelo a ser escalado no Brasil.

A Gerando Falcões tem projetos semelhantes em 3,7 mil comunidades carentes em todo o País, com mais de 200 mil pessoas positivamente impactadas. É estimulante observar que várias outras organizações e entidades trabalhem para disseminar ações de transformação da realidade de pobreza e desalento.

Só a soma dessas iniciativas poderá conscientizar as pessoas de que é possível superar a pobreza. A agenda básica deve ter como pilar um ambiente de volta do crescimento econômico associado a programas de transferência de renda.

Meu testemunho é muito pouco perto da desigualdade estrutural que vivemos. Todas as vidas guardam sonhos e esperanças. Todas elas importam.

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