Trading da Sadia e Perdigão é aprovada

A Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda emitiu parecer recomendando a aprovação, com restrições, da criação da BRF Trading S.A., empresa que agrega capitais da Sadia e Perdigão. A BRF atuará no mercado de exportação de carnes suína e de frango, além de industrializados de carnes e alimentos prontos e semi-prontos. A empresa, na visão da Seae, terá grande dependência em relação às suas controladoras. As restrições recomendadas pela Seae visam a evitar todo tipo de dano ao consumidor brasileiro, exatamente por causa da dependência da BRF. "Considerando as elevadas participações de mercado detidas pela Sadia e Perdigão no mercado interno para muitos destes produtos industrializados, combinadas com o alto grau de dependência da BRF em relação a estas empresas, a Seae recomendou a aprovação com restrições", justificaram os técnicos. Ao todo, foram recomendadas quatro restrições. Em primeiro lugar, o executivo responsável pela área comercial da BRF não deverá ter nenhuma ligação com a Sadia ou Perdigão, devendo ser recrutado no mercado. O segundo ponto recomenda que em caso de ocorrência de exportação de industrializados de carne, por meio da BRF, cada uma das empresas (Sadia e Perdigão) deverá ser responsável pela fixação dos preços dos seus próprios produtos. A terceira restrição determina que os representantes da Sadia e Perdigão não troquem "informações sensíveis" em termos concorrenciais sobre seus respectivos negócios. Por último, a Seae recomenda que uma eventual fusão, ou algum tipo de concentração, que possa vir a ocorrer entre Sadia e Perdigão, deva ser apresentada previamente ao Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC). Fazem parte do SBDC, além da Seae, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Os técnicos da Seae concluíram que nos mercados de carnes congeladas (de frango e suína) e industrializadas, a criação da trading não representará nenhum tipo de prejuízo ao consumidor. No segmento de carnes congeladas de frango e suínos, os técnicos do governo acreditam que uma série de elementos inviabiliza a adoção de um comportamento coordenado por parte da Sadia e Perdigão. É o caso das baixas participações de mercado dessas empresas nos mercados-alvo da BRF, além das reduzidas barreiras à entrada em todos os mercados afetados pela operação (interno e externo), a elevada ociosidade da indústria e o fato de que estes produtos são considerados commodities comercializáveis internacionalmente.

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