Tradings ainda seguram oferta de crédito

Governo tenta, por meio do BB, compensar a queda em outras fontes de financiamentos

, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

Apesar de o governo ter ampliado em cerca de 30% a oferta de crédito nesta safra por meio do Banco do Brasil, de R$ 30,5 bilhões para R$ 39,5 bilhões, os agricultores ainda se queixam da dificuldade de ter acesso aos recursos. "A inadimplência é alta, o que inviabiliza a tomada de financiamentos bancários, que são limitados por CPF (Cadastro de Pessoa Física)", afirma o diretor da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja-MT), Ricardo Tomczyk.Hoje os agricultores brasileiros devem, entre produtores de grãos e culturas permanentes, cerca de R$ 120 bilhões. Essa cifra equivale à receita obtida com a uma safra de grãos e de lavouras perenes, como café, cana e laranja, por exemplo. Tomczyk conta que, além das dificuldades para obter financiamentos nos bancos por causa de antigas pendências, as empresas tradings que costumavam financiar a safra para os produtores de soja ainda não retomaram os mesmos volumes de oferta de crédito que eram normalmente disponibilizados antes da crise. Geralmente, diz o diretor da Aprosoja-MT, essas empresas costumavam financiar 70% da área plantada com o grão na região. Com a crise de crédito, essa fatia caiu 45%. Hoje está em cerca de 50%. "Há também empresas que nem voltaram a fazer esse tipo de operação", acrescenta.As tradings detêm participação importante no crédito rural. Em épocas sem turbulências, o crédito fornecido por esse tipo de companhia responde por um terço da produção. Os dois terços restantes estão divididos entre os recursos do governo e o capital dos próprios agricultores. Na safra 2009/2010, a fatia das tradings e a dos produtores dão sinais de enfraquecimento.O diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, José Carlos Vaz, diz que o governo está tentando preencher a falta de crédito proveniente das tradings e a escassez de recursos dos próprios agricultores para financiar a próxima safra de grãos. "Foi uma decisão política", diz.Nas suas contas, essa decisão política deu resultados. No mês passado, o Banco do Brasil, desembolsou R$ 2,281 bilhões em financiamentos para o setor agrícola, mais que o triplo do que foi gasto em julho de 2008. "Foi o melhor mês de julho de todas as safras", afirma Vaz. Ele diz que esse ritmo de crescimento será mantido neste mês.O diretor do BB atribui parte desse excelente desempenho de julho ao fato de o banco ter iniciado o ano safra 2009/2010 com a "máquina do crédito rodando", o que não ocorria em safras anteriores. M.C.

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