Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Tráfego aéreo cai após ter triplicado

Foram 17,4 milhões de embarques e desembarques este ano, com queda de 3,2% em relação ao ano passado

Marina Gazzoni, de O Estado de S. Paulo,

23 de setembro de 2013 | 06h00

SÃO PAULO - A redução da oferta de voos nacionais provocou queda no tráfego de turistas que viajaram para o Nordeste neste ano. Os aeroportos da região registraram 17,4 milhões embarques e desembarques entre janeiro e agosto, uma queda de 3,2% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Infraero.

A retração neste ano reverte um cenário de crescimento acelerado na região, que viu o movimento nos aeroportos saltar de 12,9 milhões de embarques e desembarques anuais para 32,8 milhões entre 2008 e 2012. Nos últimos cinco anos, TAM e Gol aumentaram, em média, 30% a oferta de voos para a região. A corrida para ampliar as ofertas trouxe uma guerra de tarifas entre as empresas e viabilizou a entrada da classe C no transporte aéreo.

O movimento, no entanto, trouxe prejuízos às empresas. As companhias voavam com cerca de 30% de capacidade ociosa em 2012 e sentiram dificuldades em repassar a alta de custos.. A solução foi revisar as malhas e cortar os voos menos rentáveis, em uma tentativa de voar com aeronaves mais cheias e melhorar o resultado financeiro. Nesse processo, foram priorizados os voos que atendem ao passageiro de negócios, onde é possível repassar o aumento de custos do setor.

A TAM, por exemplo, cortou 9% da sua oferta no mercado nacional entre janeiro e agosto. No Nordeste, o corte foi maior - de 11%. "Em épocas de crise, a TAM reduz oferta nos voos em que não pode mexer no preço. O Nordeste é um destino majoritariamente de lazer e o passageiro não absorve alta de preço", explica o diretor de vendas da empresa, Klaus Kühnast.

Para viabilizar esses voos, a TAM usa aviões maiores para o Nordeste do que a aeronave padrão usada para voos nacionais. A intenção é reduzir custos com ganhos de escala. "A tarifa é mais baixa para o Nordeste. Para o voo se pagar, precisa sair com avião mais cheio e ter custo mais baixo", explica.

O executivo ressalta que o Nordeste ainda tem a maior oferta de voos da TAM: são 225 voos diários de ou para as cidades da região, que levam 35% dos passageiros da empresa.

A Gol cortou em 9% sua oferta este ano e também priorizou os voos focados no passageiros de negócios - a empresa não abre o reajuste por região. "A demanda para o Nordeste é grande, mas é sazonal. Vamos aumentar a oferta quando a demanda estiver aquecida", explica o diretor de planejamento da Gol, Claudio Borges.

Segundo ele, o volume de reservas de passagens para o Nordeste no fim do ano está alto. A Gol já vai iniciar novos voos na região em outubro. A TAM disse que vai ampliar em 11% a oferta de voos na alta temporada e colocará 35 voos fretados por semana para a região

Impacto. O Nordeste sentiu uma queda de demanda neste ano pelo ajuste de malha das companhias aéreas, disse Abdon Gosson, presidente do grupo Arituba, dono de oito empresas na região, como os hotéis Arituba e Majestic, em Natal (RN) e agências de viagens. Segundo ele, a demanda nos hotéis caiu cerca de 15% neste ano.

A região é o principal destino turístico do Brasil. Cerca de 40% das vendas de pacotes de viagens fechadas em São Paulo - Estado que representa 60% das vendas nacionais - são para o Nordeste, segundo dados da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav). A perspectiva, no entanto, é positiva. Com a proximidade da alta temporada, as empresas aéreas estão retomando os voos . Para Gosson, a recente valorização do dólar também pode ajudar o turismo no Nordeste. "A viagem internacional ficou mais cara para o brasileiro e muita gente vai viajar pelo Brasil."

Tudo o que sabemos sobre:
forum estadao nordeste

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.