Daniel Teixeira/Estadão - 25/2/2021
Daniel Teixeira/Estadão - 25/2/2021

Tragédia maior no PIB de 2020 é a queda de 4,8% no resultado per capita, diz economista

Para Luis Otavio de Souza Leal, economista-chefe do Banco Alfa, o número aponta piora clara da situação financeira dos brasileiros

Gregory Prudenciano, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 12h03

Para o economista-chefe do Banco Alfa, Luis Otavio de Souza Leal, embora os números do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 tenham vindo um pouco melhores do que ele esperava, a queda de 4,80% no PIB per capita caracteriza a "tragédia maior" dos números divulgados nesta quarta-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Durante a recessão de 2015 e de 2016 houve queda de mais de 4,0% na renda per capita, em média, para em seguida acontecer uma recuperação que ficou em 0,7% ao ano, na média. Antes de recuperarmos as perdas de 2015 e 2016, surge 2020 com um tombo de 4,80%, e essa é a tragédia maior do PIB. Mostra uma piora clara da situação financeira do brasileiro", argumenta Leal.

O PIB de 2020 tombou 4,10% ante 2019, resultado pouco melhor do que a mediana do mercado apurada pelo Projeções Broadcast, de queda de 4,20%. As estimativas, todas negativas, era de variação entre 4,55% e 3,50%. O PIB do último trimestre do ano passado cresceu 3,20% frente ao terceiro trimestre, considerando o ajuste sazonal.

Leal atenta para a participação do setor externo no PIB de 2020, que contribuiu positivamente com 1,2 ponto porcentual para o resultado do ano. "Se não fosse o setor externo, a queda do PIB iria para mais perto de 6,0%. Este é um comportamento normal em tempos recessivos. Como as importações caem muito em crises, acaba que as exportações líquidas se tornam mais favoráveis", pontua.

O economista do Banco Alfa não tem dúvidas de que o nível da atividade desacelerou no começo deste 2021 não só a ponto de sua projeção para o PIB do primeiro trimestre ser de queda de 0,30% ante o trimestre final de 2020, como já há viés de queda na projeção. Segundo Leal, três fatores pesam contra a atividade no primeiro trimestre: o fim do auxílio emergencial, a segunda onda da covid-19, que acaba restringindo a circulação de pessoas, e o processo de vacinação ainda muito lento contra a doença.

"É difícil escapar de um número negativo no primeiro trimestre. Essa confusão inicial da vacina tira um pouco do ânimo das pessoas. Espero queda de 0,30% no PIB do primeiro trimestre, e se eu revisar, vai ser para baixo", ratifica.

Para o segundo trimestre, no entanto, Leal está mais otimista, com projeção de crescimento de 0,30%. Dos três problemas que devem puxar para baixo a atividade do primeiro trimestre, pelo menos dois deles devem estar "bem encaminhados" entre abril e junho: as novas parcelas do auxílio emergencial, algo que, na perspectiva de Leal, "já está dado, e vai dar um ânimo maior para o consumo" e também a vacinação em massa, travada pelo fraco fluxo de recebimento de vacinas pelo Brasil, problema que o economista imagina que se resolva nas próximas semanas.

Antes da divulgação do PIB de 2020, o Banco Alfa projetava alta de 3,50% no PIB de 2021. De acordo com o economista, a nova estimativa do banco deve colocar o PIB de 2021 "mais perto de 4,0%".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.