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Trajetória da dívida é declinante, diz Malan

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, garantiu hoje que a trajetória da dívida pública brasileira é declinante, se for preservada a geração de superávits primários e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 3,5% a 4% ao ano. Segundo Malan as projeções feitas pelo governo indicam que a relação dívida/PIB pode, nessas condições, cair para 46% em 2010. Atualmente a dívida está em R$ 684,6 bilhões e representa 54,5% do PIB.Malan participou, juntamente com o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, e o diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy, de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (Cae) do Senado Federal. O convite para o comparecimento do ministro foi para atender o requerimento do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e Romero Jucá (PSDB-RR), que queriam explicações sobre a marcação a mercado dos títulos públicos e sobre o risco Brasil.O ministro reconheceu, mais uma vez, que a dívida pública brasileira é elevada, mas ponderou que 60% do seu aumento deve-se à renegociação com Estados e municípios e ao programa de saneamento dos bancos estaduais. "É um absurdo sermos penalizados pela transparência", disse. De acordo com o ministro, outra parte expressiva da dívida é composta pelo reconhecimento dos chamados "esqueletos", ou seja dívidas que já existiam mas não eram computadas pelos governos anteriores."Tomamos a decisão correta", disse Malan referindo-se ao reconhecimento dessas dívidas. O ministro assegurou para os senadores que a percepção do risco do País seria muito pior se o governo não tivesse adotado essa política. Para o ministro parte da instabilidade vem da percepção do muito que ainda há a fazer e, por isso, contribuiria muito se os partidos e os candidatos à Presidência da República assumissem compromissos claros com relação à responsabilidade fiscal, restrição orçamentária, inflação baixa e cumprimento dos contratos.No depoimento aos senadores, Malan também fez referência ao contexto internacional adverso, agravado, segundo ele, por dúvidas e incertezas com relação à economia norte-americana e o Japão. O ministro também lamentou os "palpites indevidos" do investidor George Soros e do secretário do Tesouro Americano, Paul O?Neill, e criticou a percepção "equivocada" das agências de risco internacionais com relação ao País. "Só quem não conhece o Brasil pode nos comparar com a Nigéria", argumentou.O ministro também prometeu analisar com cuidado a sugestão do senador Jefferson Peres (PDT-AM) de que se poderia pensar numa ajuda mútua entre os Países para enfrentar situações de turbulência. "Talvez o México, o Chile e o Brasil poderiam ter algo semelhante aos tigres asiáticos", argumentou o senador. Malan disse que a idéia de um mecanismo de "swap" entre os bancos centrais de determinados países já existe, mas não foi levada adiante por inúmeras dificuldades, entre elas a necessidade de reservas internacionais líquidas.

Agencia Estado,

25 de junho de 2002 | 17h27

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