Trajetória de deflação chega ao fim em São Paulo

A trajetória de deflação verificada nos últimos meses em São Paulo, no âmbito do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) chegou ao final, na avaliação do coordenador do índice, Paulo Picchetti. Em maio, o indicador ficou negativo em 0,22%, e no mês passado em 0,31%. "A taxa de junho não ficou muito distante da projeção de -0,40% para o final do mês, mas verificamos que na última semana de junho, as quedas verificadas até então já vinham perdendo a intensidade", comentou.Picchetti deu como exemplo o comportamento do preço do álcool combustível. Na segunda semana de junho, o item apresentava queda de 10% na ponta ao consumidor, passando para -5% na terceira, e 3,3% na última semana de junho. O mesmo movimento foi identificado no grupo Alimentação: na segunda semana de junho, na ponta ao consumidor, a queda era de 2,5%, passando para -1,6% na terceira, e -0,3% na quarta. "É bastante simples de entender: o que estava caindo agora cai menos", disse o economista.De acordo com pesquisa realizada pela Fipe, o subgrupo semi-elaborados, que marcou a deflação ao longo do mês passado, também mostrou comportamento semelhante, ao passar de -1,3% para -0,2% na ponta ao consumidor. Mesmo o tomate, responsável pela maior queda individual do IPC no mês passado (-21,11%, com impacto de -0,05 ponto percentual), vem mostrando quedas menores. Na ponta ao consumidor, o recuo era de 4,9% na terceira semana de junho, e de -2,4% na última semana. "Tudo está voltando para um patamar muito próximo da estabilidade. Agora a tendência é de manutenção desses preços, ou até mesmo de elevação", disse Picchetti.O subgrupo alimentos industrializados, por exemplo, que caía 0,6% na terceira semana para o consumidor, já registrou alta de 0,08% na quarta semana do mês passado. Picchetti identificou que todos os itens dentro deste grupo que dependem do trigo apresentaram uma alta maior na ponta ao consumidor na última semana de junho. Uma alta mais evidente verificada no período foi a do pão francês, que subiu 4% na ponta. Este produto foi a segunda maior alta individual do IPC do mês, de 1,34%.Picchetti salientou ainda que a inflação do mês passado foi beneficiada não apenas porque Alimentos, Transportes e Despesas Pessoais contribuíram com taxas negativas, mas também porque os demais grupos apresentaram variações abaixo de 0,50%. Inflação anual Picchetti aproveitou ainda para revisar para baixo sua projeção para a inflação na capital paulista ao final do ano. Sua estimativa atual é de que os preços subam, em média, 2,5% em 2006 ante projeção anterior de 4%. Vale lembrar que, no final de 2005, a previsão para o ano seguinte era de uma alta de 4,5%.Picchetti destacou que a segunda metade do ano terá uma inflação "bem maior" do que a do primeiro semestre, que acumulou uma leve alta de 0,10%. Mesmo assim, ele descarta qualquer preocupação em relação ao descontrole dos preços, porque o cenário é "bastante confortável".O coordenador explicou que não espera "vilões" de preços na segunda metade do ano. "Os serviços devem continuar a subir no mesmo ritmo do primeiro semestre, mas não haverá mais a anulação desta alta vinda de grupos como Alimentação e Transportes, como foi verificado nos primeiros seis meses do ano", explicou.Em julho, segundo o economista, a inflação na capital paulista subirá 0,20%.O IPC-Fipe mede a variação dos preços de produtos e serviços, no município de São Paulo, para famílias que ganham entre 1 e 20 salários mínimos.

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