Trajetória de queda de juros está "configurada", diz Malan

O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan afirmou hoje que a trajetória de queda de juros está "claramente configurada" pelo Banco Central. "A discussão agora é sobre o ritmo e a intensidade dessa trajetória nos próximos meses e anos", declarou na palestra feita durante o "XVI Congresso Nacional de Executivos de Finanças", evento realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), em São Paulo. Embora não concorde que as taxas de juro do Brasil "são excessivamente altas", tanto nominal quanto real (taxa nominal descontada a inflação), o ex-ministro entende que País poderá ingressar num período de queda sustentada das taxas. Mercado de câmbio Além disso, ele entende que o câmbio deverá passar por valorização (do dólar frente ao real) porque não acredita que o País manterá superávit comercial da ordem de US$ 40 bilhões, verificado nos últimos 12 meses e previsto para continuar neste patamar até o final do ano. O ex-ministro também defendeu a atuação do governo no mercado de câmbio, contanto que não tenha "proposta e objetivo estabelecer um nível de uma taxa de câmbio ou uma banda da taxa, porque senão o regime não é flutuante". A atuação do governo pode se dar pela compra ou venda de dólares no mercado. Neste caso, com a depreciação do dólar frente ao real, o governo tem atuado na compra de moeda norte-americana. Brasil no topo do ranking O Brasil está completando o primeiro ano na liderança do ranking mundial dos juros reais. Desde setembro de 2004, quando ultrapassou a Turquia, o Brasil tem as maiores taxas de juros reais (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses) do globo, hoje em 14,3%. Para o Brasil deixar essa incômoda posição, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) teria de ter reduzido a taxa básica (Selic) para 11,25% - ou fazer um corte de 8,5 pontos porcentuais, segundo projeção da consultoria GRC Visão. Na quarta-feira, o Comitê decidiu pelo corte de 0,25 ponto porcentual. Com isso, a Selic passou para 19,50% ao ano (veja mais informações no link abaixo). Impacto do juro alto Quando os juros estão altos, os investidores preferem aplicar no mercado financeiro, em vez de abrir ou expandir um negócio. Quanto mais os juros sobem, maior é o retorno das aplicações. É difícil conseguir a mesma rentabilidade em uma fábrica ou empresa. Se os empresários canalizam os recursos para o sistema financeiro, fábricas deixam de ser abertas e empregos deixam de ser criados.

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