WERTHER SANTANA/ESTADAO
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Tramitação da reforma da Previdência gera cautela e Bolsa recua 0,7%

Mesmo com cenário exterior positivo, o Ibovespa caiu para os 97,2 mil pontos; o dólar à vista fechou em leve alta de 0,08%

Antonio Perez e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2019 | 18h50

As incertezas envolvendo a tramitação da reforma da Previdência se sobrepuseram ao otimismo dos investidores no exterior nesta segunda-feira, 25. Tudo porque o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deu declarações que sinalizam um primeiro atraso no andamento da proposta de mudança das aposentadorias na Casa.

Na Bolsa, as palavras de Maia se somaram à queda do petróleo, que já pesava nos negócios domésticos desde o fim da manhã, para aprofundar a aversão ao risco. A piora da commodity ocorreu depois que o presidente americano, Donald Trump, reclamou que os preços estavam elevados. Assim, conduzido pelo recuo dos papéis da Petrobrás, o Ibovespa cedeu 0,66%, aos 97.239,90 pontos.

O dólar ante o real, que refletia o movimento de seus pares até perto do fim do pregão, acabou contaminado pela cautela em relação à Previdência. A moeda norte-americana, que cedeu ante a maioria das demais divisas, terminou com valorização de 0,08%, a R$ 3,7437, no mercado à vista.

O deputado federal disse que a instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), prevista inicialmente para terça-feira e por onde a reforma começa a tramitar só deve ocorrer depois do carnaval e que a organização da base do governo ainda está "lenta". Também voltou a dizer que, sem a proposta de alteração da Previdência dos militares, a votação da PEC já apresentada pode demorar mais.

No exterior, apesar de os ativos terem perdido um pouco do ímpeto ao longo da tarde, o otimismo com os sinais de avanço no diálogo entre Estados Unidos e China no comércio prevaleceu e os principais índices de ações terminaram com ganhos em Nova York.

Em meio ao tombo do petróleo no mercado internacional e à cautela em relação ao andamento da reforma da previdência no Congresso, o Ibovespa operou durante toda tarde na contramão das bolsas em Nova York e encerrou o pregão desta segunda-feira em queda, perto do piso dos 97 mil pontos.  

O índice até ensaiou uma alta no início dos negócios, voltando a superar os 98 mil pontos, na esteira do otimismo dos mercados externos com um desenlace positivo nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos. Investidores celebraram o fato de o presidente Donald Trump ter estendido à trégua tarifária para produtos chineses para além de 1º de março e relatado "progressos substanciais" nas negociações. 

A maré virou no mercado doméstico com o tombo das ações da Petrobrás, na esteira do mergulho das cotações do petróleo, após o mesmo Trump reclamar que os preços da commodity "estavam muito altos" e pedir a Opep, organização que reúne os países produtores de petróleo, "ir com calma".

Ao longo da tarde, o Ibovespa foi às mínimas e chegou a flertar com a perda da linha dos 97 mil pontos, com a diminuição do ritmo de alta das bolsas americanas e declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que despertaram temores sobre o ritmo de tramitação da reforma da previdência no Congresso.

Maia (DEM-RJ) indiciou que a instalação da Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ), responsável pela primeira análise da proposta, pode ficar apenas para depois do carnaval. Havia perspectiva de que a CCJ pudesse iniciar seus trabalhos esta semana. Maia disse também que há apreensão em torno do projeto de lei de aposentadoria dos militares, embora tenha negado que vá aguardar o envio do PL para que a CCJ seja instalada. Antes dessas declarações, o presidente da Câmara já havia demonstrado preocupações com a comunicação da proposta da previdência à população e questionado a estratégia do governo de fazer articulação política por meio de bancadas temáticas.  

Segundo gerente da mesa de renda variável da H. Commcor, Ariovaldo Ferreira,  o ruído  provocado pela questão da instalação da CCJ contribuiu para deixar os investidores na defensiva. "A expectativa era de alta da bolsa, mas houve essa queda mais forte do petróleo e essa questão da CCJ, que assuntou um pouco", afirma Ferreira, ressaltando que o volume negociado, na casa dos R$ 11 bilhões, ficou abaixo do esperado, o que revela falta de apetite para apostas mais fortes. 

A ação PN da Petrobrás fechou em queda de 1,58%, enquanto os papéis ON recuaram 2,40%. O recuo mais acentuado das ações ordinárias seriam consequência de decreto do governo, publicado no diário oficial de sexta-feira, que dá bandeira verde para os bancos federais venderem papéis da companhia quando as condições de mercado forem mais vantajosas.

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