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Transformação

A boa gestão pública está na base de uma alocação de recursos correta

Ana Carla Abrão*, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2018 | 04h00

O Brasil viveu um importante movimento de renovação nas últimas eleições. Em alguns casos para o bem, noutros nem tanto. Mas temos sim forças novas, jovens e preparadas assumindo um protagonismo político e ocupando espaço nas Assembleias, no Executivo e no Congresso Nacional. Passadas as eleições e desmontados os palanques, é hora de definir a pauta e de começar a fazer jus a uma nova agenda que é, acima de tudo, a de transformar o Brasil. 

Dentre tantas pautas necessárias e urgentes uma parece finalmente se destacar e gerar uma convergência inédita. Trata-se da agenda de melhoria da gestão pública, mais especificamente, do resgate das práticas de gestão de pessoas no setor público. Não por coincidência, diferentes e importantes iniciativas da sociedade civil marcaram posição em relação ao tema nos últimos dias, contribuindo para alçar o tema à sua devida prioridade. 

A par de uma agenda contínua, a convergência recente de eventos e debates reflete um importante amadurecimento do assunto. A começar pelo evento da Comunitas, na última sexta-feira, líderes públicos e privados se reuniram para discutir a necessidade de investirmos na melhoria da gestão pública. Ali, responsabilidade fiscal, boa gestão e resultados concretos nas áreas econômica e social – que o populismo irresponsável insiste em dizer que não andam juntos, foram os temas principais, com o exemplo do Espírito Santo brilhando e fazendo seguidores.

No dia seguinte, o Centro de Liderança Pública (CLP) também discutiu gestão pública em um evento que mobilizou especialistas e pessoas envolvidas com o tema aqui e fora do Brasil. Experiências domésticas e internacionais foram compartilhadas, dando clareza de quanto há a fazer numa agenda que é, antes de tudo, de busca de resultados concretos de melhoria dos serviços públicos para o cidadão.

No final de semana dois outros eventos também ocuparam a agenda de debates sobre a melhoria na gestão pública. Em Oxford, na Inglaterra, a Fundação Lemann, em parceria com a Fundação Brava, a Humanize e o Instituto República promoveram um curso, na Blavatnik escola de governo, sobre gestão pública com especialistas no tema. Paralelamente, o Instituto República e a Agenda Brasil do Futuro, idealizadores do Prêmio Espírito Público, criado para reconhecer e celebrar os profissionais do setor público que fazem grandes contribuições ao Brasil, levaram os premiados a Londres, em viagem organizada pelo jornal The Guardian, para conhecer instituições do serviço público britânico.

Junte-se a esses esforços o Vetor Brasil, o Movimento Brasil Competitivo, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, além de várias outras instituições e pessoas altamente qualificadas que discutem e vivem esse tema de forma séria e comprometida, e tem-se a dimensão que essa agenda adquiriu.

A boa gestão pública está na base de uma alocação de recursos correta, determinando se escolhas públicas serão ou não eficientes – e, portanto, se terão impacto positivo ou não. É ela que define os resultados na ponta, ou seja, quanto o setor público conseguirá apoiar o cidadão, ajudar a desenvolver econômica e socialmente o país e fomentar as potencialidades dos agentes privados. Boa gestão pública é produtividade, crescimento e geração de oportunidades para a população.

Mas a boa gestão pública é feita por pessoas. Pessoas bem selecionadas, corretamente motivadas e capacitadas, justamente avaliadas, adequadamente remuneradas e valorizadas. São as pessoas também as que serão responsáveis pela necessária transformação da gestão pública no Brasil pois, no final do dia, são elas as responsáveis por entregar serviços públicos básicos que irão contribuir para melhorar a vida do cidadão brasileiro.

Mas são também pessoas como as que se mobilizaram em torno desse tema nos últimos dias e que convergiram numa agenda tão importante, que irão contribuir para que uma transformação tome forma na gestão pública brasileira. Afinal, o que buscamos é isso: que o Estado brasileiro se transforme, afinal, num motor que seja não o reforço das nossas desigualdades mas, ao contrário, um instrumento de justiça social.

*ECONOMISTA E SÓCIA DA CONSULTORIA OLIVER WYMAN

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