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Transição nos EUA reduz peso do encontro

Propostas do G-20 precisam ser chanceladas pelo presidente da maior potência global

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

A reunião de ministros de finanças e dirigentes de bancos centrais do G-20, hoje e amanhã, em São Paulo, e o encontro de chefes de Estado do grupo, no dia 15, em Washington, terão a importância diminuída pelo fato de o presidente da maior potência mundial estar em fim de mandato. O que poderia dar força aos eventos seria a presença do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, no encontro da semana que vem, o que não deve ocorrer. Em tese, a reunião na capital paulista servirá para a elaboração de propostas que serão analisadas pelos chefes de Estado em Washington - encontro emergencial convocado pelo atual presidente americano, George W. Bush, para discutir saídas para a crise global. O embaixador Rubens Ricupero, ex-secretário geral da Organização das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), acredita que a reunião em São Paulo terá dois focos, um visando ao curto e outro ao médio e longo prazos. A possibilidade de sucesso, na avaliação dele, está no primeiro. "Todos esperam algo imediato, pois a confiança (nos mercados) não voltou e Washington terá de encontrar algo de caráter prático para estimular a economia", afirmou. Mesmo assim, ele não espera nada muito ambicioso. "As políticas coordenadas para combater a crise devem ser ampliadas para outros países, como o Brasil, a Índia, a África do Sul e o México", disse Ricupero, que atualmente dirige a Faculdade de Economia da Faap, em São Paulo. "Deve-se ressaltar que cada país tem sua própria realidade." O Brasil, lembrou ele, não pode, neste momento, reduzir a taxa de juros, como a maioria dos países desenvolvidos tem feito, porque a alta do dólar já eleva os índices de inflação. Na quinta-feira, por exemplo, o Banco da Inglaterra baixou agressivamente a taxa básica de juros - de 4,5% para 3% ao ano. BRETTON WOODS 2Do ponto de vista do médio e longo prazos, estarão em pauta a reforma de instituições multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O objetivo é dar mais peso aos países emergentes. Mas isso, observou Ricupero, não é novidade. "Sempre esteve na agenda do G-20 (criado em 1999)", afirmou. Outro aspecto futuro diz respeito à reforma do sistema financeiro global, para evitar crises como a dos dias de hoje. A intenção dos que defendem a idéia é promover um "Bretton Woods 2", em referência à seqüência de encontros realizados nos EUA em 1944, que resultou na formatação de uma nova arquitetura econômico-financeira global. Ali foram criados o FMI e o Banco Mundial. "Mas Bretton Woods levou semanas", comparou Ricupero. "As reuniões em São Paulo e Washington serão curtas. Os problemas em questão não se resolvem assim."Além disso, ele acrescenta que mudanças desse nível significam a alteração significativa do status quo. Em outras palavras, no equilíbrio de poder. "Acho difícil que se possa avançar nisso num momento de transição política nos Estados Unidos", afirmou. "Qualquer coisa grandiosa é muito duvidosa."

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