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Transição rápida no Reino Unido dá alívio a mercado

City já faz ponderações sobre o possível ministro de Finanças, Philip Hammond, tido como fiscalmente responsável

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2016 | 07h53

LONDRES - O inesperado anúncio do fim antecipado da corrida para suceder David Cameron deu alívio ao mercado financeiro. Analistas reagem positivamente à chegada de Theresa May especialmente porque a antecipação da transição coloca fim a uma das incertezas do horizonte. Além disso, há expectativa de que May mantenha uma linha econômica responsável. O atual ministro de Relações Exteriores, Philip Hammond, é cotado para ocupar o lugar de George Osborne nas Finanças.

“Essa transição rápida é encarada como um fato positivo pelos mercados financeiros e investidores porque fornece maior certeza sobre a nova direção do governo do Reino Unido”, dizem os analistas do banco britânico Barclays.

Independentemente da linha política e econômica de Theresa May, essa é a visão que prevalece na City: o novo governo chegará antes e as incertezas sobre a corrida eleitoral acabaram. Ou seja, é um problema a menos no radar.

Analistas do Deutsche Bank notam que discursos recentes de Theresa May indicam que a meta de um déficit fiscal zero deve deixar de ser o principal item da pauta econômica. “No entanto, o citado pela imprensa como favorito para ocupar o cargo de ministro de Finanças é Philip Hammond, que é conhecido por ser fiscalmente responsável”, citam os analistas do banco alemão. Aos 60 anos, Philip Hammond é o atual ministro de Relações Exteriores do governo Cameron e é considerado o favorito para o posto. O político é tido como um “eurocético”, mas apoiou a campanha pelo “Permanecer” na União Europeia.

Brexit. No mercado financeiro, economistas apostam que o novo governo não deve acionar a cláusula 50 do Tratado de Lisboa – mecanismo que inicia formalmente o processo de dois anos para a saída do país da UE – pelo menos até o fim do ano. Há consenso de que May e a nova equipe do governo britânico deverão usar os próximos meses para criar bases para um acordo positivo em termos econômicos para o Reino Unido pós-Brexit. Países da UE, porém, têm demonstrado pouco interesse em conceder vantagens a Londres.

Apesar do alívio sentido pelo mercado financeiro, o setor empresarial – especialmente as grandes companhias – parecem um pouco mais apreensivas. May já defendeu que “grandes empresas precisam mudar” e sugeriu temas espinhosos como a aprovação dos acionistas para remuneração de executivos, além da abertura dos conselhos de administração para representantes de trabalhadores e consumidores. Um dos representantes da entidade máxima do setor industrial britânico, a EEF, disse ao Financial Times que essa pauta citada pela nova premiê “não está na lista de desejo” das empresas atualmente.

 

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