Transição renovável deve considerar abastecimento
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Transição renovável deve considerar abastecimento

Consultoria sugere que caminho da descarbonização passa pelo gás natural

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
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09 de dezembro de 2020 | 10h36

A modernização do setor elétrico brasileiro passa necessariamente pela trinca “3 D” (descentralização, descarbonização e digitalização), como prevê o Plano Nacional de Energia (PNE) 2050 que a EPE colocou em consulta pública há poucos meses. Mas tão importante quanto planejar o ritmo da irreversível transição energética para as fontes mais renováveis é não perder de vista a necessária análise da segurança no fornecimento aos consumidores. O alerta é do sócio e cofundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Bruno Pascon.

O executivo acredita que o excessivo foco que a Empresa de Pesquisa Energética dá no plano à matriz elétrica e especificamente à evolução das energias renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, significa na prática redobrar a aposta num modelo que se encontra submetido a variáveis cada vez mais imprevisíveis. “O planejamento de longo prazo precisa levar em conta as mudanças climáticas, o aquecimento global”, avalia. A CBIE Advisory publicou recentemente uma análise sobre o PNE 2050 no qual defende o uso do gás natural como energia de transição. “Não estão olhando o papel que o gás natural pode desempenhar nessa necessária transição energética, especialmente pelo potencial oferecido pelo pré-sal nos próximos 10 anos”, exemplifica. “A descentralização deve olhar o custo sistêmico e não só o preço”.

A análise da CBIE é que o Brasil já possui uma das matrizes mais limpas de todo o mundo, com a participação de renováveis chegando a 80% se considerada apenas a geração elétrica e de 46% quando contabilizadas também as fontes fósseis. No restante do mundo essas taxas são bem menores, de 27% e 16%, respectivamente. Com esse perfil, o Brasil acaba contribuindo apenas com 3% das emissões de CO2 globais. Portanto, considera o executivo, os esforços de descarbonização no país podem ser feitos sem replicar modelos de países onde a matriz é mais “suja” e mais sensíveis a pressões internas e externas. “Considerando as políticas de ESG (sigla em inglês para o triângulo ambiental, social e governança), estamos bem de ‘E’ esquecemos o ‘S’, oferecendo tarifas muito altas”, afirma Pascon.

O diretor da CBIE sugere olhar outros exemplos do exterior, como o da China. O gigante asiático tinha no início dos anos 2000 cerca de 70% de sua matriz em fontes a carvão e investiu pesado nos últimos 15 anos em capacidade eólica e solar, derrubando essa taxa para 52%. Mas crescendo a taxas superiores a 6% ao ano, o país se preocupou com a confiabilidade do sistema e busca agora estimular a construção de usinas

termelétricas a gás natural. O objetivo, com isso, é levar o patamar dessa fonte dos 6% atuais da matriz para 15% em poucos anos. 

Geração distribuída tem potencial de gerar R$ 50 bi, indica estudo do setor

O mercado de geração distribuída, ou seja, a produção de energia elétrica de pequeno porte realizada junto ao próprio agente consumidor, cresce a cada ano e tem um potencial de negócios de R$ 50 bilhões em uma década. Essa é a estimativa de Carlos Evangelista, presidente da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD). Ele toma por base estimativas de mercado do relatório Bloomberg New Energy que prevê que 32% da matriz energética brasileira será solar em 2040. E que 75% disso se dará na geração distribuída.

Esse caminho rumo à descentralização é explicitado por dados oficiais. Segundo a última Resenha Energética Brasileira, divulgada pelo Ministério das Minas e Energia em maio, a potência instalada de geração distribuída no País chegou naquele mês a 2.942 MW, sendo 94% baseados em energia solar. Na data, eram 310 mil unidades consumidoras recebendo créditos, para 237 mil unidades geradoras. Boa parte das projeções otimistas está enraizada nas mudanças de tecnologia de comportamento dos consumidores observadas nos últimos anos.

A maior utilização de carros elétricos é um exemplo citado por Evangelista, dada a necessidade de estrutura para recarga. Estimativas recentes apontam que a frota mundial desses veículos será de 85 milhões de unidades já em 2025, número que saltará para 240 milhões em 2030. Incluindo motos e motonetas, a frota eletrificada pode chegar a 400 milhões. “Temos também a perspectiva de melhor aproveitamento dos resíduos sólidos urbanos para a produção de biogás. São cerca de 3,8 mil aterros sanitários no Brasil. O que é um problema ambiental se transformará em energia”, afirma o presidente da ABGD.

Prédios públicos

As aplicações da energia gerada são variadas. Evangelista destaca projetos de eficiência energética em prédios públicos. “Há um projeto no Estado de São Paulo para dotar todos os 30 mil prédios públicos com essa tecnologia. Se pensarmos que no Brasil existem mais de 180 mil edifícios públicos é um caminho interessante”, explica. Mesmo admitindo que alcançar todo esse universo talvez não seja possível, ele lembra que o setor já conversa com prefeitos e vereadores da Amazônia sobre esse tipo de transição.

A associação trabalha também em questões de segurança dessas instalações de geração distribuída. “Temos dois tipos de certificação. A primeira, de montador fotovoltaico, tem dois anos e foi feita em parceria com o Senai, que tem ótima capilaridade. Envolve prova teórica e prática. A segunda é de responsável técnico”, lista.  

 

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