Transparência é desafio para empresas investirem no social

Pelo menos 60% das empresas brasileiras fazem algum tipo de investimento filantrópico, um movimento que gera o equivalente a pelo menos 1,5% do PIB ao ano, cerca de R$ 19 bilhões. Considerando que boa parte das doações dessas companhias não é regular, há ainda muito espaço a ser preenchido pelo investimento social privado na comunidade. Há, no entanto, obstáculos sérios a serem vencidos para aumentar a participação do setor privado na filantropia.O principal entrave, segundo Carla Duprat, diretora do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), é o estigma criado no fim dos anos 80, e que ainda persiste, de que muitas instituições sociais praticam a "pilantropia" e não a filantropia. "Ainda há resistência nesse tipo de investimento porque houve casos de fraudes", lembra a executiva, destacando o escândalo da Legião da Boa Vontade (LBV).A transparência nas instituições e nos processos de doação são exigências cada vez maiores para a avaliação do investimento social. "Somente dessa forma é possível fazer com que as empresas tornem a filantropia um investimento estratégico, parte do orçamento anual e não apenas do lucro, e que cause de fato uma transformação social independente das políticas públicas", diz Carla.Uma das formas básicas de transparência é a demonstração pública de balanços por parte das entidades que recebem doações. Não se trata de processo complicado. "Mas sem a divulgação de dados, o investidor pode e deve desconfiar da instituição", ressalta o presidente do Idis, Marcos Kisil."O desempenho das empresas nas áreas social, ética e financeira não pode ser camuflado. Como a Shell bem reconheceu, o mundo dos negócios deixou de ser um mundo do tipo ´acredite em mim´ e vem caminhado para um mundo do tipo ´mostre-me´", diz Simon Berkeley, especialista da consultoria Arthur D. Little. Berkeley participou do seminário ´Pacto Social e o Papel do Investimento Social Privado na Comunidade: Desafios e Tendências´.

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