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Transpetro deixa dois estaleiros fora de licitação de petroleiros

A Transpetro deixou dois dos maiores estaleiros do País de fora da licitação gigante de 42 petroleiros que deve promover até o fim do ano. A empresa causou polêmica ao anunciar nesta terça-feira a qualificação de apenas quatro estaleiros - três deles "virtuais", que ainda não têm instalações - para a concorrência. Mauá-Jurong e Brasfels, que, juntos, tocam obras com valor superior a US$ 3 bilhões, foram desqualificados.Logo após o anúncio, o presidente da estatal, Sérgio Machado, informou, porém, que vai rever o processo em reunião com a diretoria da empresa. Dez empresas se inscreveram para disputar a licitação.A encomenda dos navios, orçados em US$ 1,9 bilhão, é a maior licitação do setor já feita no Brasil. Foi elaborada com o objetivo de incentivar a retomada da indústria naval brasileira e a construção de novos estaleiros no País. Entre os consórcios qualificados, três ainda não possuem estaleiros: o consórcio Rio Grande, formado pela norueguesa Aker e pela Queiroz Galvão; o Estaleiro Rio Grande, da Transnave e da japonesa Ishikawagima; e o consórcio Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Os dois primeiros se comprometeram a construir instalações no Rio Grande do Sul. O terceiro, em Pernambuco.A única empresa habilitada que possui instalações é a Sermetal, dona do estaleiro Ishibrás, no Rio, que atualmente opera no reparo de embarcações. Trata-se da maior instalação brasileira para a construção naval.Estaleiros tradicionais como os já citados Brasfels e Mauá-Jurong, além do Estaleiro Ilha S.A.(Eisa) receberam pontuação abaixo do mínimo exigido pela estatal. O Eisa recebeu nota baixa no quesito capacidade financeira, mesmo motivo que impediu a empresa de obter financiamento do BNDES para construir quatro petroleiros da Transpetro, contrato assinado em 2002, dentro do extinto programa Navega Brasil.Logo após o anúncio dos habilitados, o secretário de energia, indústria naval e petróleo do Rio, Wagner Victer, divulgou dura nota criticando o processo. Segundo ele, a desclassificação de estaleiros tradicionais é uma "flagrante agressão" contra a economia fluminense, já que elimina do processo empresas instaladas no Estado. Ele afirmou ainda que o reduzido número de concorrentes vai encarecer a encomenda, pois diminui a disputa pelos lotes de navios. Com apenas quatro estaleiros, cada um poderá ficar com mais de dez navios para construir.Representantes de empresas desqualificadas informaram que vão recorrer da decisão. Brasfels e Mauá, por exemplo, têm encomendas de plataformas de petróleo, mas viam na licitação da Transpetro chances de manter as atividades nos intervalos entre uma plataforma e outra. O próprio presidente da Transpetro, no entanto, afirmou ontem que pretende ampliar a lista de concorrentes. O assunto será discutido nesta quarta-feira em reunião extraordinária da diretoria da estatal.Victer critica o conceito de "estaleiro virtual" - aqueles que ainda não têm instalações, onde se enquadram três dos qualificados. "É uma anomalia inexplicável e sem precedentes nas práticas adotadas pela indústria internacional", afirmou. O gerente de construção Naval da Camargo Corrêa, Edilson Rocha Dias, informou, porém, que a empresa pretende investir US$ 214 milhões na construção de um estaleiro em Pernambuco, caso ganhe parte da encomenda.

Agencia Estado,

12 de julho de 2005 | 19h00

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