Transpetro e Vale brigam com a Usiminas

Subsidiária da Petrobrás e a mineradora acusam a siderúrgica de querer vender aço para construção de navios por preço superior ao do mercado

Kelly Lima e Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2009 | 00h00

A Transpetro, subsidiária da Petrobrás, engrossou o tom contra a Usiminas e a acusou ontem de monopolista por querer vender aço para a construção de navios no País por preço 60% superior ao do mercado internacional. O Sindicato Nacional da Indústria Naval (Sinaval) e a Vale apoiaram a estatal na queda-de-braço que esquentou durante esta semana.A Usiminas publicou ontem anúncio nos jornais em que acusa a China de dumping e pede salvaguardas contra a importação de chapas grossas de aço. O pedido oficial de investigação de dumping só pode ser feito quando o negócio entre Transpetro e os chineses for fechado.Além disso, o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) espera ter pronto neste mês um estudo que mostre a viabilidade de se pedir à Organização Mundial do Comércio (OMC) a fixação de preços mínimos de importação para o aço que vier de países não reconhecidos como economia de mercado.A siderúrgica, depois de se queixar do problema ao presidente Lula e a um grupo de ministros, optou por um tom mais político. "Não quero que um assunto tão importante se restrinja a um bate-boca", disse o presidente da Usiminas, Marco Antonio Castello Branco.Para o comando da Transpetro, o clima é outro. "Somos um anão contra um gigante, e a Usiminas só está agindo dessa maneira porque perdeu mercado na área automobilística", afirmou o presidente da subsidiária da Petrobrás, Sérgio Machado.Segundo o Sinaval, a importação tem de ser considerada como solução pontual para a regulação de preços, que no ano passado tiveram diversos aumentos. Já a Vale informou que os custos do minério de ferro e o carvão no Brasil são inferiores aos da China, do Japão e da União Europeia, o que põe por terra os argumentos da siderúrgica de que os insumos são mais caros.A principal bandeira do IBS e da Usiminas é que, no momento, com queda no consumo mundial do aço, o mercado interno ganha ainda mais importância. "Claro que uma empresa pública é obrigada a fazer uma licitação e gerir bem o patrimônio. Mas, neste momento, uma decisão como esta pelo produto importado gera prejuízo para a indústria brasileira. E creio que não seja de interesse do governo fomentar o desemprego", afirmou Castello Branco.O presidente da Transpetro não poupa críticas à empresa brasileira. "Ao ficar em 11º lugar entre os 11 concorrentes, a Usiminas apresentou uma oferta superior à média do mercado, sob qualquer ângulo". De acordo com o executivo, já foi feita a aquisição de cinco lotes por esse sistema, dos quais um foi fechado com a Ucrânia, dois com a China e dois com a Usiminas. "Isso significa que, quando a Usiminas oferece preço competitivo, é de nosso interesse comprar dela." O vice-presidente do IBS, Marco Polo de Mello Lopes, pediu audiência com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, da qual devem participar a Usiminas e a Transpetro. "Não podemos virar porto seguro para exportações predatórias. Precisamos do mercado interno ou entraremos numa descendente", advertiu Lopes.

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