Transpetro vai comprar mais aço da China

Siderúrgicas chinesas venceram licitação feita pela subsidiária da Petrobrás para fornecer o aço para a construção de navios no País

Mônica Ciarelli / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

A China venceu mais uma disputa feita pela Transpetro para o fornecimento de aço para a construção de navios no País. Desta vez, foram 18,3 mil toneladas, dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), que prevê a construção de 49 navios até 2014.

O presidente da companhia, Sérgio Machado, diz que participaram da concorrência 15 siderúrgicas de oito países, inclusive do Brasil, mas que o preço chinês foi o mais competitivo. A importação de aço pela subsidiária da Petrobrás tem sido motivo de embates frequentes entre siderúrgicas nacionais e a Transpetro.

Para tornar viável a construção das embarcações que irão ampliar a frota petroleira serão necessárias 680 mil toneladas de aço. Desse total, a companhia já fechou a compra de 150 mil toneladas, sendo que apenas um terço desse volume foi adquirido de siderúrgicas brasileiras. O restante veio da China, da Ucrânia e da Coreia do Sul.

Em palestra ontem, num seminário sobre mineração e siderurgia, Machado anunciou que a empresa aumentou em 30 mil toneladas a necessidade de aço para os próximos anos. Com isso, subirá para 710 mil toneladas o volume de encomendas da empresa à indústria siderúrgica.

A expansão se deve ao Programa de Modernização e Expansão da Frota-Hidrovia, que prevê a construção de 20 empurradores e 80 barcaças para a hidrovia Tietê-Paraná.

Machado calcula que o projeto permitirá reduzir pela metade os custos de transporte e vai consumir cinco vezes menos combustível. O executivo informou que, até agosto, abre as propostas encaminhadas pelas siderúrgicas para as 30 mil toneladas a serem compradas pela empresa.

Segundo ele, até o fim do ano serão compradas mais 50 mil toneladas. A intenção é fechar entre agosto e setembro a primeira etapa dessa negociação, feita em lotes de 15 mil a 20 mil toneladas.

Ele argumentou ainda que a importação do produto se deve a preços mais competitivos oferecidos pelos concorrentes estrangeiros. A compra de aço tem sido feita a um custo US$ 700 por tonelada, segundo o presidente da Transpetro.

Machado disse esperar que as companhias nacionais possam começar a oferecer valores mais atraentes nas próximas concorrências. "Não posso fazer com que a indústria naval, que está começando, seja penalizada por um preço de aço mais caro", afirmou o executivo.

Disputa. No início do ano passado, ainda no auge do impacto da crise mundial sobre a produção siderúrgica brasileira, a indústria de aço protestou contra as importações da Transpetro e chegou a pedir audiência à então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para tratar do assunto.

Na ocasião, os empresários do setor siderúrgico argumentaram que as encomendas internacionais da empresa confrontavam com a política do governo de redução dos impactos da crise sobre a indústria.

A alegação do setor é que as siderúrgicas chinesas são, em sua maioria, estatais. E, como empresas subsidiadas pelo governo, estariam baixando os preços a um nível que as empresas privadas nacionais não poderiam acompanhar sem que isso acarretasse prejuízo financeiro.

Naquela ocasião, o aço era importado por um valor em torno de US$ 600 a tonelada, o que o mercado nacional chegou a classificar de "preço predatório".

A direção da Transpetro, por sua vez, contra-argumentou, acusando de lobby as siderúrgicas nacionais, que estariam tentando impor preços. A subsidiária da Petrobrás chegou a divulgar comunicado repudiando "articulações da Usiminas".

Concorrência

A Transpetro já fechou a compra de 150 mil toneladas de aço das 680 mil que serão necessárias para a construção das embarcações. Só um terço foi adquirido de siderúrgicas brasileiras.

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