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Transporte corre risco de parar no Brasil

A falta de recursos do governo federal para investir em infra-estrutura poderá provocar um "apagão logístico" no País. Levantamento do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) revela que pelo menos 111 obras na área de transporte rodoviário estão paradas por falta de verbas. Isso significa R$ 1 bilhão de investimento a menos nas rodovias brasileiras, cuja qualidade está cada vez mais crítica e compromete a competitividade, principalmente a das empresas exportadoras. "O problema está se agravando", alerta o presidente do Sinicon, Luiz Fernando Santos Reis Segundo ele, das obras executadas em 2002 e 2003, o governo deve R$ 542 milhões às empresas de construção pesada. O pagamento do montante já foi negociado e renegociado algumas vezes, mas sem sucesso. Reis calcula que, se o ministério tirasse do orçamento o que ainda não pagou às companhias, sobraria cerca de R$ 1,75 bilhão para investir no setor, ou seja, R$ 146 milhões por mês. Mas esse é o valor que consta no orçamento, não o que foi liberado pelo governo ao ministério Apesar de a receita do Estado ter crescido muito nos últimos anos e a carga tributária ser uma das maiores do mundo, o País tem poucos recursos para infra-estrutura, argumenta o especialista em contas públicas, Raul Velloso Segundo ele, o governo cedeu às pressões para elevar gastos correntes e teve de fazer um ajuste nos investimentos. "Dinheiro tem, mas para outros fins, como pagamento de juros da dívida externa. Por mais que exista recurso, sempre faltará para alguém. E esse alguém é o mais fraco. Na avaliação de Velloso, a alternativa é inverter a posição, gastar menos em gastos correntes e investir mais. "Caso contrário, veremos no transporte o mesmo que ocorreu no setor de energia elétrica, como o racionamento de 2001. A lentidão dos investimentos em infra-estrutura de transporte rodoviário pode ser traduzida no volume de asfalto comercializado no País em 2003 - o pior número nos últimos dez anos, segundo o Sinicon. Resultado disso foi a redução dos postos de trabalho em 200 mil pessoas e a deterioração das estradas por todo o Brasil. Na semana passada, lembra Reis, a BR-135, entre Curvelo e Montes Claros, em Minas Gerais, por exemplo, foi interditada por causa das condições precárias da rodovia. Situações como essa têm sido comuns em todo o território nacional. Mas os casos mais críticos são verificados no Norte e Nordeste do País Um trabalho realizado pelo Centro de Estudos de Logística (CEL) da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostra que, de 1,5 milhão de quilômetros (km) de estradas existentes no Brasil, só 160 mil km são pavimentados. "Desse total, cerca de 80% estão em situação precária", diz o diretor do CEL, Paulo Fleury, autor do estudo Transporte de Carga no Brasil - Ameaças e Oportunidades para o Desenvolvimento do País.

Agencia Estado,

25 de abril de 2004 | 08h53

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